Visita virtual na Fundação Casa mantém elo entre menores e famílias

Foto: Guilherme BATISTA

Antônio (nome fictício) tem 16 anos e é um dos 38 menores infratores da Fundação Casa (Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente) de Rio Preto. A privação de liberdade aperta  a saudade da namorada e da família. Isso porque as visitas estão suspensas desde que medidas de prevenção contra a proliferação da Covid-19 foram implantadas.
“Ruim demais os primeiros dias, quem está aqui quer ver, abraçar e ter notícias de quem está fora”, relata o jovem.Cumprindo medida socioeducativa, pela segunda vez, por roubo, Antônio se viu ansioso no início já que a família é de Novo Horizonte.

O jornal DHoje visitou ontem a Fundação Casa em Rio Preto e acompanhou parte da rotina dos menores e familiares.

Dhoje Interior

“Esse beneficio que deram para nós é ótimo, porque em uma só ligação, eu consigo falar com meus pais e minha avó que não vinha me ver.”

A namorada dele, de 21 anos, conta que só conseguiu fazer duas visitas antes do início da suspensão. “A videochamada fortaleceu nossa relação. Foi excelente porque conseguimos contar as novidades e saber como ele está”.

Intitulada “Conexão com a Família”, a visita virtual, na unidade rio-pretense, é realizada de segunda a sexta-feira, das 9 horas às 13 horas. Cada interno tem de 10 a 15 minutos para conversar com pessoas que estão no rol de visitantes.

Para ter acesso ao serviço, é preciso fazer um cadastro prévio e em seguida o interessado recebe as instruções da direção. “Informamos quais são as regras, como estar em um local tranquilo, com vestimentas apropriadas e que seguimos um protocolo de segurança, no qual a conversa é acompanhada de um técnico, psicólogo ou assistente social”, explicou Vania Martins Montesi, diretora da Fundação Casa em Rio Preto.

Vânia lembra que os adolescentes ficaram 30 dias sem receber visitas até que o começo das visitas virtuais. “Fizemos uma pesquisa com os familiares para entender a realidade, muitos não tem computador. Utilizamos o Skype. Tem sido bem recebido, hoje, pelo menos 90%, tem acesso”.

A diretora acredita que após o fim da pandemia, as visitas deverão ocorrer nos sistemas on e offline. “Beneficiou pessoas que não faziam visitas, como uma avó ou bebês. Também muitas famílias não possuem recursos para realizar as visitas toda semana”, conta.

A resposta das famílias também tem sido positiva. “Apesar de não ter o contato físico, poder abraçar e beijar, conseguimos ter a certeza que está bem, ver e ouvir a voz já é um alivio”, afirma  uma mãe que usa a videochamada para falar com o filho que está apreendido.

Por Tatiana PIRES – Redação Jornal DHoje Interior