Sobrevida de pacientes infantojuvenis com câncer sobe para 82% no HCM

Diogo, 7 anos, foi diagnosticado com câncer em outubro e começou a fazer quimioterapia

Nesta terça-feira (23) é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil, doença que é a primeira causa de morte entre crianças e adolescentes de 0 a 19 anos no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Por conta disso, o setor de Oncologia Pediátrica do Hospital da Criança e Maternidade (HCM) em Rio Preto divulgou um estudo que revelou que o índice de sobrevida em pacientes infantojuvenis diagnosticados com câncer aumentou em 12% nos últimos 12 anos.

O levantamento mostrou que de 1999 a 2009, o índice de sobrevida era de 70%. Já de 2009 até agora, em 2021, essa taxa aumentou e atingiu seu maior patamar: 82%.

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“O aumento na sobrevida do câncer infantil se deve a melhora das terapias de suporte (emergência, terapia intensiva), melhora da acessibilidade da população ao serviço de referência para o tratamento, realização dos diagnósticos mais precocemente, estudos genéticos mais específicos para cada tipo de tumor, avanços em terapias direcionadas para cada neoplasia (individualização do tratamento) e desenvolvimento do serviço de transplante de medula óssea infantil em nosso hospital”, afirmou a oncologista pediátrica do HCM, Francine Megid.

O HCM conta com aproximadamente 50 crianças em tratamento recebendo quimioterapia, além de outras 120 crianças que estão fora de terapia, mas são acompanhadas pela equipe até cinco anos depois de terminarem. O pequeno Diogo, 7 anos, foi diagnosticado com câncer no mês passado e tem feito quimioterapia no hospital. Natural de Fernandópolis, ele viaja a cada duas semanas para Rio Preto para vir fazer o tratamento. Ele já fez três de um total de 12 ciclos de quimioterapia.

“O Diogo nasceu com deficiência física e quando ele ia passar por uma cirurgia na perna, os médicos notaram um caroço na clavícula dele e solicitaram os exames, que constataram o tumor. Foi um golpe muito duro para nós, como se o nosso mundo tivesse caído. O Diogo tem acompanhamento médico constante desde que nasceu, então ele acaba não gostando muito de ir ao médico. Ele chora e tem muito medo”, contou a mãe de Diogo, Daniele Junqueira Fantini.

Os tipos mais comuns de câncer na infância são as leucemias (25%), tumores de SNC (17%), e linfomas (7%). Não existe uma causa específica para o câncer infantil. “Existem fatores genéticos e fatores ambientais como vírus, medicações, exposição à radiação. Mas o câncer na infância não tem uma única causa. São vários fatores que juntos contribuem para o desenvolvimento da doença”, afirmou Francine.

Diagnóstico precoce

Os cânceres em crianças e adolescentes são considerados mais agressivos e se desenvolvem mais rapidamente do que em adultos. Por isso, o diagnóstico precoce é essencial para aumentar as chances de recuperação da criança.

“Muitos desfechos tristes poderiam ser evitados, pois, em 80% dos casos, há chances de cura, se a doença for diagnosticada precocemente”, afirmou a médica oncologista Bárbara Benetton Pinto, coordenadora do Serviço de Oncologia do Austa Hospital em Rio Preto

O grande problema é que, muitas vezes, os sinais e sintomas do câncer são similares aos de outras doenças comuns. “Pais e responsáveis pelas crianças e adolescentes e profissionais de saúde devem, portanto, estarem bastante atentos aos sintomas e não descartar a possibilidade de câncer”, alertou Bárbara.

A oncologista cita que os principais sintomas são: febre, dores pelo corpo, dores ósseas, pequenos sangramentos embaixo da pele, palidez, alterações oculares e neurológicas, aparecimento das massas palpáveis em qualquer parte do corpo e o aumento de linfonodos (ou gânglios linfáticos).

.Por Vinicius LIMA – redação Jornal DHoje Interior