Sífilis avança entre crianças e adolescentes rio-pretenses

A epidemia nacional de sífilis tem um componente agravante em Rio Preto, a doença
está avançando na faixa etária dos 10 aos 19 anos, onde a proporção de casos
notificados é de 1:1, o que corresponde a igualdade entre os sexos na contaminação.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, entre 2017 e 2018 foram notificados
5.162 rio-pretenses infectados.

Desse total, 973 casos apenas no ano passado. A cada três casos, dois tinham pacientes do sexo masculino. A maior incidência da doença foi na faixa etária dos 20aos 29 anos, seguida pela de 30 a 39 e de 40 a 49 anos, representando a fase sexualmente ativa. “Na faixa etáriados 10 a 19 anos a proporção  de casos notificados nos sexos foi 1:1, o que diferencia das demais, pensando até em medidas de prevenção e conscientização diferenciadas para essa faixa etária”, enfatiza a gerente do Complexo de Doenças Crônicas Transmissíveis, Camila de Carvalho Silva Ishizava. Segundo ela, desde 2013 o município aderiu ao Programa Fique Sabendo, em período integral.

Dhoje Interior

“Fazemos a testagem de quatro sorologias, HIV, sífilis, hepatites A e B. O Estado faz
duas, HIV e sífilis. Pela busca ativa dos resultados, quando o diagnóstico é fechado com alteração para doença, entramos em contato com o paciente para evitar que não retorne e
deixe de fazer o tratamento”, explica. Conforme Camila, a primeira dose do antibiótico Benzetacil é aplicada na própria unidade de saúde. O teste rápido para detecção da doença leva uma hora para ficar pronto, mas é com o convencional, cujo resultado sai em até 30 dias, que o diagnóstico é concluído.

“A sífilis é a porta de entrada de outras doenças infectocontagiosas e por isso deve ser
tratada pelo paciente e seus parceiros”, alerta Camila.

 

Pacientes jovens podem se tornar adultos cardíacos

Os casos de sífilis, segundo o Ministério de Saúde, aumentaram 2000% no país. Especialistas advertem que, além de evidenciar a urgência de retomar ações e campanhas
eficazes de prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis, é preciso atenção
quanto a futuras complicações cardiovasculares.

“Os jovens acometidos hoje pela doença podem ter sérios problemas cardiovasculares no
futuro, caso o tratamento não seja correto e eficiente”, alerta José Francisco Kerr Saraiva,
presidente da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo).

De acordo com ele, entre dois e 20 anos do surgimento da infecção, aparece a sífilis terciária, cujos sintomas são mais graves, podendo desenvolver a sífilis cardiovascular, com alto risco de morte.

“Os sintomas são dor torácica e nas costas, provocada por aneurisma da artéria aorta ascendente ou descendente, com risco de ruptura. Outro sintoma é o cansaço, sensação de falta de ar, quando a sífilis acomete a válvula aórtica. Neste caso, ocorre um refluxo do sangue, que volta para dentro do coração e causa sobrecarga, provocando a sensação de falta de ar”, informa o especialista.

Saraiva ressalta que a sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum e a doença
apresenta três fases de infecção. “Na primária, a partir do décimo dia de contágio, surge uma ferida em local específico, como órgãos sexuais, boca ou pele. Na secundária, entre seis semanas e seis meses, aparecem manchas avermelhadas, principalmente nas mãos e pés, podendo também apresentar ínguas nas regiões íntimas e virilha. Na terciária, a doença fica latente, levando a um descuido com o tratamento, pois muita gente
acredita ter sarado”, enfatiza.

Em todos os casos, o tratamento no combate à bactéria é feito com antibióticos, em
especial a penicilina, segundo o médico. “Mas, a sífilis cardiovascular exige que um cardiologista especializado também cuide do paciente”, finaliza.

Por Daniele JAMMAL