Quociente eleitoral pune candidatos bem votados, mas dá pluralidade, diz cientista político

Coletivas e Abner Tofanelli

O quociente eleitoral é a conta feita para dividir e distribuir entre os partidos políticos que concorrem à eleição as cadeiras do Poder Legislativo aos seus candidatos. Daí sim, começa a valer quem foi mais votado individualmente dentro de cada sigla. E também, em muitos casos, a decepção com o sistema.

Exemplo disso é Abner Tofanelli, candidato a vereador em Rio Preto pelo PDT que obteve 3.467 votos mas não conseguiu uma cadeira no Legislativo devido ao partido não atingir quociente eleitoral suficiente para a vaga dele.
“Estávamos cientes de que isso poderia acontecer, mas, quando soubemos o resultado oficial ficamos muito triste.” Ele lembra que a chapa do PDT teve 23 candidatos. “Todos, assim como eu, marinheiros de primeira viagem, não havia como fazer uma previsão exata, mas eu estava otimista”, fala.

Dhoje Interior

O eleitor muitas vezes não entende por que um candidato bem votado não consegue uma vaga no Poder Legislativo, enquanto outro que tenha recebido menos votos acaba eleito. Esse fato ocorre porque, nas casas legislativas (Câmara Federal, Assembleia Legislativa e Câmaras Municipais), as vagas são distribuídas de acordo com a votação recebida por cada partido ou coligação.

Para o cientista político Araré Carvalho, o quociente é o que dá a pluralidade. “Essa ideia do quociente eleitoral nasce primeiro para dar pluralidade dentro da Câmara, porque se os mais votados fossem os eleitos, correria o risco, por exemplo, de elegermos todos do mesmo partido, que tem mais dinheiro, mais poder econômico”. ressalta.

Nas eleições de 2020 o quociente eleitoral ficou em mais de 12 mil votos para a Câmara de Rio Preto. Para saber este número é preciso pegar os votos válidos e dividir por 17 que é o número de cadeiras disponível para os vereadores rio-pretenses.

Araré ainda justifica que todo processo na política precisa de um aperfeiçoamento. “Olhando para Rio Preto , não temos negros, gays e temos poucas mulheres na nossa Câmara, então, é um sistema que precisa de aperfeiçoamento, claro. A democracia é um processo em constante aperfeiçoamento”.

Rio Preto teve também uma candidatura um tanto quanto diferente intitulada “Coletivas”, nas eleições de 2020. Foi outro caso de votação expressiva, mas que, devido ao quociente não foram eleitas.

O Coletivas foi uma candidatura formada somente por mulheres, justamente para contradizer um ambiente quase sempre predominante por homens.
” ideia da candidatura coletiva de mulheres surgiu justamente pelo machismo estrutural que as mulheres enfrentam, principalmente quando tentam adentrar a política, sendo que esse espaço sempre foi majoritariamente masculinos, onde as mulheres sofriam bastante preconceito e sofrem. Então, a gente optou por fazer uma candidatura coletiva até pra pra que uma apoiasse a outra” conta Jéssica Daiana, que faz parte do Coletivas.

O Coletivas foi uma candidatura lançada pelo Psol e obteve 2.697 votos, porém, não foram eleitas mesmo com a votação expressiva perante outros candidatos. “A democracia no Brasil é muito recente, A gente não discorda das eleições proporcionais, é claro que a gente gostaria de estar na Câmara podendo legislar para os trabalhadores, para as mulheres, para a população LGBT e tudo mais, mas entendemos que é assim que está posto e foi dentro disso que a gente se candidatou”, finaliza Jéssica.

Por Andressa ZAFALON