SAÚDE VASCULAR – Diabetes mal controlado aumenta o risco de ferida nos pés: saiba como se prevenir

Estima-se que para o ano de 2035, aproximadamente 20 milhões de brasileiros serão diabéticos ou sofrerão as consequências das complicações decorrentes da hiperglicemia. As estatísticas são preocupantes uma vez que o aumento na prevalência de pacientes diabéticos em todo o mundo é exponencial, com elevação de 114% em sua incidência nos próximos 30 anos.

O Diabetes Mellitus (DM) representa um importante fator de risco para doenças cardiovasculares, com impacto negativo sobre o sistema circulatório, acelerando o depósito de placas de colesterol na parede das nossas artérias e, desta forma, aumentando o risco de derrame cerebral, infarto do miocárdio, má circulação e complicações em órgãos vitais como os rins.

Dhoje Interior

De um modo genérico, existem dois tipos principais de DM. O DM tipo 1 caracteriza-se pela ausência da produção corporal de insulina, manifestando-se geralmente em pacientes jovens e evoluindo com complicações graves e imediatas como a cetoacidose diabética. Por outro lado, a fisiopatologia do DM tipo 2 apoia-se principalmente na resistência à ação periférica da insulina, isto é, a insulina é secretada pelas glândulas pancreáticas, porém sua ação é inibida por receptores específicos. A obesidade é apontada como o principal fator indutor da resistência à insulina. O DM tipo 2 manifesta-se em faixas etárias mais avançadas e na maior parte das vezes está associada ao sobrepeso e a obesidade, podendo evoluir com falência da produção de insulina pelo pâncreas.

Em termos circulatórios, tanto o DM tipo 1 quanto o DM tipo 2 podem interferir no bem-estar das nossas artérias, que constituem os vasos sanguíneos responsáveis por nutrir e fornecer oxigênio aos nossos órgãos e aos nossos tecidos. Entretanto, o diagnóstico tardio do DM tipo 2 representa um fator imperativo para o maior risco de complicações vasculares, uma vez que o diabético tipo 2 demora para controlar seus níveis glicêmicos e, consequentemente, mantém a sua saúde circulatória desprotegida por período prolongado.

Nefropatia, Oftalmopatia e alterações na Micro e na Macrocirculação constituem as principais complicações vasculares associadas ao DM. Portanto, todo paciente diabético apresenta elevada probabilidade de evoluir em algum momento de sua vida com redução da função dos seus rins, comprometimento visual e déficit circulatório nos pequenos e grandes vasos.

Além do acometimento vascular periférico e circulatório sistêmico, a neuropatia diabética é responsável pela deformidade e pelas alterações na arquitetura dos pés do paciente diabético. O estado hiperglicêmico crônico apresenta efeitos deletérios sobre os nervos periféricos, resultando em redução significativa ou ausência da sensibilidade nas extremidades do corpo, especialmente nos pés.

É esperado que o diabético evolua com fissuras, lesões, escoriações e feridas nos pés em decorrência da falta de sensibilidade e da neuropatia periférica. A formação do “Mal Perfurante Plantar”, caracterizado pela presença de úlcera na base dos pés, constitui a maior preocupação no que se refere ao comprometimento circulatório do paciente diabético e representa um importante fator de alerta para futuras complicações, uma vez que a úlcera plantar eleva em cinco vezes o risco de infecção e abscesso nos pés, com potencial risco de perda do membro tanto por processo infeccioso quanto por má circulação.

A vigilância dos pés deve ser prioridade na rotina dos pacientes diabéticos, a fim de reduzir complicações circulatórias, diminuir a contaminação bacteriana e evitar a necessidade de limpeza cirúrgica de abscessos plantares. Algumas recomendações são fundamentais para todos paciente diabético:

  • Examine seus pés todos os dias. Se necessário, utilize um espelho para auxiliá-lo.
  • Na presença de bolhas, rachaduras, fissuras ou micoses interdigitais, procure orientação médica.
  • Higienize seus pés e seque bem entre os dedos.
  • Ande sempre calçado, mesmo no ambiente domiciliar.
  • Faça uso de sapatos confortáveis.
  • Não utilize meias apertadas e nem exponha seus pés a altas e baixas temperaturas.

Em caso de dúvidas, mantenha o acompanhamento com seu cirurgião vascular. Para maiores informações, acesse o site www.drsthefanovascular.com.br.

Prof. Dr. Sthefano Atique Gabriel – Doutor em Pesquisa em Cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, especialista nas áreas de Cirurgia Vascular, Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular e coordenador do curso de Medicina da União das Faculdades dos Grandes Lagos (Unilago)