SAÚDE CARDIO – Como saber se pacientes com Covid estão piorando? Dez situações de alerta

Covid-19 Rio Preto

Conhecer mais detalhes acerca da infecção por Covid-19 nunca é demais, quando sabemos que ainda não há tratamento efetivo e estamos dependendo completamente do avanço da vacinação pelo Brasil. Dessa forma, existem algumas particularidades referentes às manifestações desta infecção que podem indicar piora na evolução do quadro.

Esta piora não implica necessariamente em certeza de óbito, mas consiste logicamente em um conjunto de sinais clínicos e laboratoriais que refletem falha do funcionamento dos principais órgãos.

Dhoje Interior

Existem medidas terapêuticas que podem conter esta piora da infecção por Covid-19. Muitas vezes é necessário empregar aparelhos artificiais que possam restaurar ou aliviar a disfunção orgânica.

Naquelas pessoas mais sensíveis e com maior desequilíbrio do sistema imunológico, a infecção pela Covid-19 caracteriza-se primariamente pelo ataque do vírus a nossos pulmões, causando um processo inflamatório e dificultando a oxigenação.

O passo seguinte consiste na utilização de cateteres e máscaras de oxigênio e a constante observação de parâmetros como pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória e a porcentagem de oxigenação.

A questão crucial será, em meio a este ataque inflamatório aos pulmões, compreender qual o significado dos possíveis desmembramentos, ou seja, quais seriam os sinais que indicam que este ataque inflamatório aos pulmões não está respondendo ao tratamento e que esta inflamação já está se estendendo para mais órgãos.

Para isso, quero compartilhar com vocês dez situações que indicam que uma pessoa em estado crítico na UTI pode estar perdendo a batalha para a Covid-19.

Situação 1

Os rins começam a não produzir urina de forma adequada e a pessoa começa a inchar. Posso afirmar para vocês que este é um dos mais temidos sinais numa evolução desfavorável, nas pessoas com infecção por Covid-19.

Quando o processo inflamatório da Covid-19 afeta nossos rins, pode ocorrer paralisação total ou quase total dos mesmos, sendo necessário recorrer a hemodiálise, um sistema artificial para filtração do sangue e eliminação de toxinas.

A hemodiálise, por um lado, é uma poderosa arma para tratamento da disfunção dos rins, mas, por outro lado, produz alguns efeitos colaterais relacionados ao desequilíbrio da função cardíaca, os quais podem culminar com a morte da pessoa.

Situação 2.

Os exames laboratoriais podem apontar para um processo inflamatório muito severo no fígado (hepatite), aumentando a probabilidade desta hepatite tornar-se fulminante. Este quadro inflamatório pode ser desencadeado tanto pela infecção causada pela Covid-19 como também pela necessidade de utilizar grande quantidade de medicamentos, que podem gerar graus distintos de toxicidade hepática. Em outras palavras, tenta-se solucionar um problema e acaba surgindo outro.

Situação 3

Além da ação lesiva do coronavírus nos pulmões, nota-se que os exames indicam presença de bactérias e fungos nos pulmões, ocasionando uma pneumonia de gravidade acentuada e descontrole maior nos níveis de oxigenação. Temos de considerar que as pessoas mais sensíveis ao coronavírus podem estar com seu sistema imunológico mais comprometido e daí resulta a atividade oportuna de bactérias e fungos.

Situação 4

Pessoas que necessitam de intubação e ventilação artificial por tempo prolongado (meses) estão mais sujeitas a diversas complicações. A principal seria a sepse, ou seja, um processo infeccioso que geralmente começa nos pulmões e gradativamente se dissemina por toda a circulação sanguínea, causando danos em diversos órgãos. Não é simples o manuseio de uma sepse, sendo que uma das medidas fundamentais é ampliar o espectro de antibióticos.

Situação 5

O processo inflamatório causado pela Covid-19 pode favorecer a ocorrência de tromboses -formação de coágulos dentro de algumas veias e artérias. Em alguns órgãos do corpo, como pulmões e cérebro, esta trombose pode piorar a falta de ar e causar distúrbios da consciência e raciocínio, além de risco iminente de morte muito mais elevado.

Situação 6

No caso do coração, sabe-se que a infecção por Covid-19 pode causar uma miocardite, um processo inflamatório que acomete o músculo do coração, podendo resultar em uma insuficiência cardíaca. Em alguns casos, esta miocardite pode causar também diferentes tipos de arritmia cardíaca.

Situação 7

O diabetes, principalmente quando não bem controlado, pode prejudicar o bom funcionamento de nosso sistema imunológico. Desta forma, uma pessoa diabética, em estado crítico devido a Covid-19, que esteja apresentando muitas variações da glicemia, está sujeita a pior evolução clínica, com um risco acentuado de disfunção de outros órgãos como rins e cérebro.

Situação 8

Pessoas infectadas por Covid-19 que estejam apresentando crises de broncoespasmo e acúmulo de líquidos dentro e fora dos pulmões, podem apresentar uma evolução desfavorável. O broncoespasmo significa que o processo inflamatório da Covid-19 está provocando o fechamento dos ductos por onde o ar que respiramos passa. O acúmulo de líquidos é resultado do inchaço do tecido pulmonar e do extravasamento deste líquido para fora dos pulmões.

Situação 9

Quando uma pessoa está infectada pela Covid-19 e seus parâmetros hemodinâmicos, como pressão arterial e frequência cardíaca, começam a cair, sendo necessário o emprego de drogas vasoativas em altas doses, não é bom sinal.

As drogas vasoativas são representadas pela noradrenalina, adrenalina, vasopressina e dobutamina e são empregadas quando há necessidade de restaurar e manter a normalidade dos parâmetros hemodinâmicos. Entretanto, quando em altas doses, os efeitos colaterais podem comprometer as funções de fígado e rins, dificultando a sobrevida.

Situação 10

Uma pessoa infectada pela Covid-19, intubada e mantida em ventilação mecânica por muito tempo, começa a ter lesões na pele, no corpo todo, na forma de abscessos. Mesmo com uso de antibióticos, a febre e os exames laboratoriais não melhoram e alguns abscessos expandem e necessitam de drenagem cirúrgica.

Bons hábitos + vacina

Precisamos entender duas questões, após considerar a dimensão de gravidade das dez situações acima. Primariamente, nosso sistema imunológico depende muito de nossos hábitos diários, como uma alimentação regrada e horas adequadas para o descanso noturno.

O segundo ponto é que a vacina é a mais eficaz medida de contenção do coronavírus e suas complicações. Dessa forma, precisamos estar muito atentos, ter responsabilidade comportamental e seguir as orientações das autoridades sanitárias, pois não faltam situações que denotam a gravidade e uma evolução desfavorável da infecção por Covid-19

Não quero disseminar o pânico! Quero alertar que, quando uma pessoa com Covid-19 está em estado crítico, o curso natural da doença pode seguir uma queda vertiginosa, com alteração funcional de vários órgãos e pouca ou nenhuma resposta aos diversos medicamentos e equipamentos.

Portanto, já que podemos intervir neste curso natural, por meio da vacina e de nossa responsabilidade, por que desafiar este vírus e acabar descobrindo mais e mais situações indicativas de piora clínica desta infecção? Vamos refletir!

Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel – Cardiologista com especialização em Cirurgia Cardiovascular, orientador de Nutrologia e Longevidade e coordenador da Faculdade de Medicina da Unilago – www.coracaomoderno.com.br