Roberto Toledo: uma carreira de 57 anos ininterruptos à frente de um microfone

Hoje, as 9h, ao vivo, no programa Show do Roberto, na Rádio Interativa FM, a Serifa Editora e Comunicação lança o livro “Roberto Toledo nas ondas do rádio”, da jornalista Cecília Demian, com a colaboração dos jornalistas José Luís Rey e Ester Mendonça.

Nas 330 páginas Cecília narra os 57 anos ininterruptos do jornalista e radialista Roberto Toledo à frente de um microfone. A primeira emissora da cidade é de 1935 instalada após esforços do dentista Raul Silva. PRB8 – Rádio Rio Preto. Foi onde ele começou.

Dhoje Interior

Toledo começou no rádio pelas mãos de Araújo Neto, na PRB8, aos 19 anos em 1964. Apresentava a programação aos domingos e, num deles, foi enviado como repórter de campo em um jogo do Rio Preto contra o Olímpia. Rio Preto não tinha 100 mil habitantes.

O sucesso de Roberto Toledo à frente dos microfones se acentuou após fazer teatro com o professor Nelson Castro e se transferir, em 1967, para a Rádio Independência AM. No teatro, fazia esquetes e protagonizou as personagens principais de A Raposa e as Uvas e o Pagador de Promessas.

O sucesso popular chegou em 1969 após representar Rio Preto em um programa do Silvo Santos, chamado Cidade contra Cidade. Sua popularidade era tal que foi pressionado para ser candidato a um cargo eletivo. Ao voltar de São Paulo, precisou ser escoltado pela Polícia.

O lançamento poderá ser acompanhado pelo Facebook da emissora (interativafmriopreto) ou pelo canal do YouTube da Serifa Editora e Comunicação (https://youtu.be/gwE-ovEaKkk). Os exemplares serão distribuídos gratuitamente no endereço eletrônico [email protected] ou pelo WhatsApp: (17) 99167-5408.

A realização é da Secretaria da Cultura e Economia Criativa – PROAC ICMS, com patrocínio do Grupo Cene e da Cia. de Bebidas Poty.

50 Capítulos

O livro, em seus mais de 50 capítulos, conta histórias e causos saborosos e hilários desses 86 anos de rádio em Rio Preto. Deles, Toledo atuou em 57. As histórias foram alinhavados pelo jornalista José Luís Rey, que foi colecionando as pérolas ao longo da carreira. Os capítulos contam a história de todas as emissoras que Rio Preto teve e tem.

Ao narrar a história de Roberto Toledo, o livro acaba fazendo justiça a outras personagens importantes para o nascimento e sucesso do rádio entre nós. Ele foi o grande veículo de massa no Brasil até o começo dos anos 1970. Mesmo após a consolidação da TV, ele continuou arrebatando paixões.

O livro mostra que não dá para falar do Toledo e do Rádio sem citar o visionário dentista Raul Silva, Zacarias Fernandes, os irmãos Muanis, Alexandre Macedo, Júlio Cosi, Alberto Cecconi, Antônio Carlos Botas, José Luiz Rey, Roberto Souza, Clenira Sarquis e tantos outros. Raul Silva em 1935 abria a primeira Rádio em Rio Preto: A PRB-8. Ou taquara rachada, como era chamada pela cidade inteira.

Como o livro e sua história mostram, Roberto Toledo podia ter sido um político ainda em 1970, pelas mãos do médico, advogado e intelectual Wilson Romano Calil. À época, moço solteiro e sem noção por onde passa o poder, declinou. Só virou vereador em 1992 na segunda administração do prefeito Manoel Antunes. Ficou 8 anos na Câmara. Após uma reunião “esquisita” com propostas “esquisitas” numa fazenda próxima da cidade, decidiu que o jogo político partidário não era para ele.

Toledo também foi a primeira voz da TV Globo Noroeste Paulista, que se instalou por aqui na década de 80 do século passado. Casado desde 1973 com Valéria, tem dois filhos. Assim como o rádio, viu e descreveu no rádio o passo a passo da transformação de Rio Preto de Vila para uma metrópole de 500 mil habitantes.

O livro mostra a trajetória do jornalista e radialista Roberto Toledo. Ela, o entanto, só existe em função de seu extraordinário talento, conteúdo, carisma e poder de comunicação.

O livro e a história

“Lá vem história” é o primeiro capítulo. O livro faz um tour pelas emissoras na Era de Ouro do rádio, fala da Taquara Rachada (da PRB8), da família Muanis (Rubens, Adib e Cézar), das histórias hilárias e, mais importante, dos personagens que possibilitaram essa saga. Um deles, Maurício Goulart, deputado federal, culto, rico e que fundou a Independência AM. Para inaugurar a Independência em 1962 ele trouxe o presidente da República, Jango Goulart.

É impossível falar da história de Rio Preto sem passar pela do rádio. Um fato simples ou relevante, um momento histórico, o dia-a-dia da política local, nossa cultura caipira, nossas músicas, jogos, aniversários, a expansão urbana, o crescimento econômico, a transformação em capital regional, a mistura Ásia, Europa e África, nossos homens públicos, vitoriosos, perdedores e cassados, os ricos da roça, e os da cidade.

Rio Preto e os seus 80 mil habitantes era uma cidade grande para o Brasil de 57 anos atrás. O país vivia o fino da Bossa. Nascia Brasília, Juscelino deixava o poder, surgiam os Fuscas empoeirando nossas ruas sem calçamento, a Bossa Nova colocava o país entre os mais refinados em música no Planeta e a Jovem Guarda tinha o Rei Roberto Carlos. O prefeito era Lotf João Bassitt. “O Rádio era o Rei do Brasil”, diz Toledo.

Começo dos anos 60, Rio Preto acabava de sair do governo Alberto Andaló. Nele, resultado do boom provocado pela chegada da estrada de ferro em 1912, fez a transição de uma simples Vila no Sertão do Avanhandava, no Alto da Araraquarense, para uma cidade de modos e gostos refinados, com acesso à produção intelectual e cultural do país, e vivendo um frenesi imobiliário poucas vezes visto. Além de se expandir no horizonte, Rio Preto crescia para cima, num espasmo de verticalização que nunca mais parou.

A história do livro se passa nesse universo. Quem tiver acesso, ao descobrir a história do radialista, vai ser enredado pela história do desenvolvimento econômico, social e urbanístico de Rio Preto.

A jornalista Cecília Demian revela que escreveu este livro com sentimento e emoção. “Eu ia rindo para o computador, feliz, e me perdia nos fios da história à procura de personagens e dos tempos idos.” Cecília trabalhou com Roberto Toledo seis anos na Rádio Independência.

Da REPORTAGEM – Jornal DHoje Interior