Rio Preto: Jovem sofre aborto em UPA e caso para na delegacia

Uma jovem, de 21 anos, sofreu um aborto dentro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Jaguaré, na tarde deste domingo (12), em Rio Preto.

Segundo o boletim de ocorrência, agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) foram chamados para conter uma briga entre funcionários da unidade e o acompanhante de uma gestante.  Após a constatação do abordo, as equipes da unidade pediram a transferência da paciente para a Santa Casa, neste momento o namorado discordou em transferir a jovem.

A vítima que estava grávida de quatro meses negou o relato da ocorrência e afirma que sofreu o aborto devido a demora no atendimento. “Eu estava com muita dor e não fui atendida assim que cheguei. Fiquei aguardando ser chamada, mas demorou, foi quando sofri o abordo no banheiro da recepção, isso foi antes de eu ser atendida. Após o aborto a dor passou e eu já estava indo embora quando a enfermeira foi atrás para me atender”, explica a paciente.

J.P.C.O permaneceu internada em observação das 17h às 20h na unidade. “Eu fiquei tomando soro e aguardando vaga na Santa Casa, mas já estava cansada de esperar, sem me alimentar, então eu queria ir embora dali”, conta.

Segundo o boletim de ocorrência, durante a noite, os agentes foram novamente chamados, pois o companheiro da paciente queria retirá-la do local. D.S.J. disse que levaria a mulher para outro pronto atendimento pela demora.

Segundo os agentes, o homem tirou o soro da paciente. A médica plantonista atendeu a gestante, às 16h37, que reclamava de dor abdominal, ocorrendo em seguida o aborto do feto no banheiro da unidade.

A médica contou que o feto pesava 900 gramas e que o aborto não teria sido espontâneo. O feto foi encontrado por uma funcionária no banheiro da unidade, porém, a jovem não havia relatado sobre o aborto.

Foram fornecidas cópias do relatório médico, prontuário de entrada e documentos. Foi solicitado ao IML exame necroscópico fetal. A polícia vai investigar o caso que foi registrado como aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento.

Em nota a Prefeitura disse que a paciente entrou na unidade com relato de dor abdominal iniciada pela manhã e que foi prontamente examinada. “Durante consulta médica a paciente não relatou gravidez, apenas dor abdominal. Após a consulta e exame médico foi encaminhada para medicação e observação. Durante o preparo da medicação, a paciente informou a necessidade de usar o banheiro para necessidades fisiológicas. Passados alguns minutos ela retorna do banheiro recusando a medicação, e referindo que as dores já haviam passado e que iria embora porque estava com sangramento vaginal, a mesma foi reavaliada após referir melhora da dor e queixa de sangramento vaginal (durante a avaliação foi questionada novamente sobre suposta gravidez e a mesma negou). Em seguida, foi encaminhada para sala de emergência enquanto aguardava transferência para o hospital. Após poucos minutos da reavaliação a paciente foi embora da unidade sem comunicar a equipe”.

Por Mariane Dias

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