Reclamações por perturbação do sossego crescem quase 150% durante pandemia

Ocorrências atendidas pela Polícia Militar de Rio Preto subiram durante a quarentena. Foto: Polícia Militar Divulgação

O número de denúncias de perturbação de sossego feitas ao Copom (Centro de Operações da Polícia Militar do Estado de São Paulo) aumentou bastante durante a quarentena em Rio Preto. De acordo com dados da Polícia Militar, no período entre 1° de janeiro a 31 de março deste ano, foram registradas 7.834 ligações ao 190. Já entre 1° de abril, início da quarentena, até o último dia 14, as reclamações saltaram para 19.552, número 149% maior do que no primeiro trimestre do ano, quando ainda não havia sido estabelecido o isolamento social.

Entre as principais reclamações, a campeã é o som alto. Um servente de pedreiro, de 39 anos, chegou a ser detido na noite de quinta-feira (25), na casa dele, no bairro Nato Vetorazzo. A PM foi acionada para atender a denúncia de perturbação de sossego, através do Copom. Na casa do homem, os policiais apreenderam duas caixas de som, que estavam em cima de uma mesa, na garagem da residência.

Dhoje Interior

O servente de pedreiro e a mulher dele, uma dona de casa, de 21 anos, segundo o boletim de ocorrência, aparentavam estar embriagados. O Conselho Tutelar foi acionado, já que o filho do casal, de três meses, estava com eles. O homem resistiu à abordagem e sofreu escoriações. Foi preciso algemá-lo. O casal foi levado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Norte e as caixas de som foram apreendidas e encaminhadas à Central de Flagrantes para perícia técnica.

Quem faz a denúncia não precisa se identificar. A PM realiza os atendimentos de acordo com a gravidade das ocorrências. “A Polícia Militar tem o caráter de prevenção e segurança da comunidade e atendemos de acordo com a emergência da ocorrência. São prioridades os casos de roubo, homicídio, estupros. Mas não deixamos de atender porque a finalidade da corporação é também garantir a tranquilidade”, explicou o capitão Rafael Henrique Helena, responsável pelo Copom.

Além do som alto, a polícia também recebe reclamações de moradores que reclamam do barulho do cachorro do vizinho, discussões em alto volume entre casais e barulho incômodo de móveis, no caso de moradores de prédios. “Nesse período, na contramão do aumento de ocorrências de perturbação do sossego, os atendentes do Copom notaram uma queda significativa no número de ocorrências de lesão corporal por acidente de trânsito, por exemplo”, afirmou o capitão Rafael.

O Copom atende 96 cidades da região de Rio Preto e de acordo com o capitão Rafael, o número de atendimentos cresce aos finais de semana. Os horários de maior fluxo são às sextas-feiras a partir das 17 horas; aos sábados, com início às 19 horas e avançando até a madrugada, e aos domingos, a partir das 15 horas. “Adequamos o efetivo de acordo com a demanda, levando em consideração questões estratégicas”, explicou o responsável pelo Copom.

O incômodo a coletividade se deve ao isolamento social. “As pessoas passaram a ficar mais em suas residências. Às vezes, está o cidadão e o cachorro e nem há aglomeração. Porém, ligam o som alto e gera a perturbação aos vizinhos. Também notamos um aumento de atendimento em casos de violência doméstica, a Lei Maria da Penha, em razão dos casais passarem mais tempo juntos em casa”, finaliza o capitão Rafael.

 

Por Tatiana PIRES – Redação Jornal DHoje Interior