Produtores de borracha comemoram valor agregado e estimam pico da produção nos próximos meses

Produtores de borracha da região estão comemorando a alta histórica dos preços praticados pelo mercado. A borracha natural (GEB10) fechou o primeiro trimestre do ano em R$ 10,54, o valor cresceu 14,9% em relação aos preços praticados no ano passado, eles estimam que que a safra alcance o pico nos próximos meses.

Maior região produtora de borracha do país, a região noroeste paulista, abriga a Associação Paulista dos Produtores e Beneficiadores de Borracha Natural (APABOR) que estima que os preços praticados bateram o último recorde ocorrido dez anos atrás, em 2011, de R$9,74. O presidente da entidade, Fábio Magrini, comemora a alta do preço.

Dhoje Interior

“Esse valor recorde no mercado animou produtores e parceiros, deu uma injeção de ânimo no setor. A tendência do clima é refrescar, o que ajuda aumentar a produtividade nesse período de pico de safra para compensar os meses do começo do ano em que, geralmente, temos muitas chuvas e isso prejudica a produtividade”, comenta.

Ainda segundo a entidade, o clima, reduz a produtividade em aproximadamente 30%, ficando abaixo do esperado pelos produtores, mesmo assim, a expectativa é das melhores, principalmente pelos preços altos, e os heveicultores querendo produzir o máximo possível nesse período. “Agora vem a importância de conhecer o seringal, de ter um bom planejamento e de ter feito também diagnóstico de látex”, explica o engenheiro agrônomo e diretor agrícola da Planthec, Cássio Scomparin.

Nilson Augusto Cardoso Troleis, engenheiro agrônomo e membro do Comitê Técnico da APABOR, também comemora. “Nós, como produtores, estamos felizes, entendendo que temos ainda 50% da safra por vir”, afirma. Segundo ele, agora é a hora de olhar para a gestão técnica dos seringais, para não se perder a produtividade. “Para nós, da heveicultura, ela é muito mais importante porque a cada 7 hectares, temos uma pessoa. Então, a gestão técnica de pessoas é de suma importância. Temos demanda e temos um mercado comprador”, explica.

O que vai determinar o sucesso da produtividade está no gerenciamento e na gestão técnica do seringal e da sua equipe de sangradores. “O potencial real dos nossos seringais, em relação ao sucesso da safra e à gestão técnica, é em torno de 8kg planta/ano (de coágulo com DRC 58%) – e pode ficar entre 5 a 8kg. Temos um ano agrícola de baixíssimo nível pluviométrico. Então, é mais um fator que exige da gestão técnica, da habilidade técnica”, afirma Troleis.

A APABOR destaca que o ciclo de produção da seringueira se inicia com a sangria nos meses de setembro e outubro, depois que as plantas estão enfolhadas e com enfolhamento maduro. Essa produção, nesses primeiros dois ou três meses, é baixa porque os painéis sangrados normalmente não estão “ativados”, pois passaram a entre safra toda sem sangria, ou seja, sem estímulo. Além disso, ainda é um período muito quente, seco e com ventos.

Os meses de dezembro, janeiro e fevereiro são períodos de mais chuva, a umidade relativa do ar aumenta e a produção por corte melhora muito, mas não se consegue dar uma boa frequência de sangria porque a chuva atrapalha bastante. Em março e abril a produção já é bem maior.

Segundo Scomparin, dependendo da região, os meses de abril, maio e junho ficam mais frios e acontece o pico de produção do seringal em determinadas regiões. “Cada mês desse pode determinar até 14%, 15% da produção do ano, representando 45% da produção anual. Daí a importância da produção desse período”, explica o agrônomo.

Da REPORTAGEM