Poetisas de Rio Preto lançam obra sobre as vozes femininas na pandemia

Poetisas de reuniram para lançar um livro durante o isolamento social.

A arte da poesia ganhou ainda mais força e se materializou numa belíssima obra sendo os efeitos da pandemia a força motriz. Faces de Chronos: vozes femininas na pandemia – nome da obra – uma referência ao deus grego que simboliza o tempo cronológico.

Patrícia Reis Buzzini, escritora, tradutora e poetisa, com vasta experiência na área é a idealizadora do projeto e diz que o livro representa um registro de um momento histórico que ficará marcado para sempre na memória das pessoas.

De acordo com a criadora, a ideia surgiu a partir de uma conversa com Célia Vasconcelos sobre a ansiedade para publicarem seus poemas, no final de 2021. “Marcamos um encontro, e convidamos a escritora Loreni Gutierrez para nos ajudar na elaboração do projeto. Após definirmos a temática e os detalhes da publicação, convidamos mais três poetisas para integrarem o livro. Foi uma reunião maravilhosa”, comenta.

Contando ainda com Elma Bassan, Vera Mussi Hage e Lucila Papacosta Conte, a obra exprime diversos estilos de escrita poética e a vastidão de sentimentos colocados de forma singular por cada uma. Para Patrícia, partilhar composições que refletissem essa “algaravia de vozes (femininas)” em contato com as alegrias e angústias do período de isolamento social foi a linha que uniu as poetisas resultando num exemplar sequioso. “Poesia é a arte de lapidar as palavras”, diz.

Célia Regina Cavicchia Vasconcelos, graduada em jornalismo, letras e pedagogia e mestre em Literatura Brasileira e professora aposentada, diz que de tanto instruir escrita e poesia descobriu que seus versos já estavam em si. “Carregados da bagagem da minha existência, imprimem dores, tensões, amores, valores… Escolho as palavras que me figuram, me transfiguram e me transcendem”, divaga.

Vasconcelos ainda acrescenta que, seus poemas nesta antologia preocupam-se com o tempo, com a pandemia, com o estar feminino no mundo, com a condição humana, com a palavra e com o amor. “Não nasci poeta, estou me fazendo poeta. E participar desta obra, ao lado de grandes e sábias poetisas, está sendo uma imensa inspiração”, menciona.

Lucila Papacosta, bacharel em letras e Direito, cronista e professora aposentada pela rede estadual de São Paulo, profere que o fio condutor dos poemas para publicar na coletânea foi encontrado quando deu permissão para que o eu poético flanasse mais livre, sem tantas amarras estruturais.

“Confesso que em muitos dos textos fui surpreendida por uma voz romântica demais, idealista que nunca imaginara ainda existir disponível. Surgiram também poemas-grito-de-rebeldia, poemas-gemido de extrema tristeza e também de espanto por tantas desigualdades sociais postas às claras. Aos leitores contemporâneos agradeço a leitura. Aos amantes das artes e aos poetas do futuro: que me perdoem esse lirismo não muito disposto a construções elaboradas – que prestem atenção no que não foi dito por cuidado, sobretudo com vocês, jovens poetas! As musas cantam em todos os tempos e situações… escutar e traduzir suas vozes exige coragem e dedicação. Mas, sempre vale a pena!”

Vera Mussi Hage, graduada em Direito e pós-graduada em Marketing, possui uma trajetória ímpar como escritora ostentando diversas premiações. Numa linha mais espiritual assevera que sua proposta foi um diálogo com a alma, entre almas. “Em tempos pandêmicos, sobretudo, fomos convidados a silenciar e escutar a nossa própria voz, através da alma. Esvaziar-se, desnudar-se, completamente. A essência do homem é a alma. Somos uma só alma! Através da alma, buscamos ressignificar nossos sentimentos, olhando e percebendo o lado bom de tudo o que vivemos. Intensificando sempre nossa conexão com o Criador. Tentei decifrar a anatomia da alma, penetrando no mais profundo do meu ser, sentindo a dor do outro”, reflete.

Loreni Fernandes Gutierrez, escritora graduada em Letras e nome de peso no cenário rio-pretense, conta que, a pandemia fez aflorar sentimentos diversos como incerteza, a solidão e o medo. Mas, por outro lado, brotou fulgurantes criações. “Muitos dos contos, romances ou poemas que criamos faziam parte dum mundo imaginário onde podíamos nos esconder sem medo da tormenta que se avizinhava. Noutras criações, expurgamos nossos medos, perdas e incertezas e, em outras, falamos de amor e de esperança, porque, apesar de tudo, nunca deixaram de existir”, revela.

Elma Bassan Mendes, jornalista, escritora e cronista, diz que o clima de medo que a pandemia fez pairar no ar foi o que a motivou em colocar no papel o que experenciava. “Apenas traduzi meu olhar atônito para o assombro que foi e, em certo modo, ainda é a pandemia. A falta de ar me conduziu. Versos apneicos de um tempo dispneico. Imensa gratidão: ser sobrevivente, mulher e recreadora de palavras. Valeu muito”, afirma.

O exemplar estará disponível para venda no dia 08 de julho, no Espaço Arte Mostra ArqDesign no Rio Preto Shopping Center a partir das 19h30.

Faces de Chronos: vozes femininas na pandemia

Editora: Livro na Estante

Editor: João Paulo Vani

Elaborado a partir da magnitude das poetisas:

Célia Regina Cavicchia Vasconcelos

Elma Eneida Bassan Mendes

Loreni Fernandes Gutierrez

Lucila Papacosta Conte

Patrícia Reis Buzzini

Vera Mussi Hage