Pesquisa mostra que 70% aprovam e querem continuar em home office

Alexandre Stênio Guimarães consultor de vendas há oito meses home office - Foto Arquivo Pessoal

O despertador toca e são 7h da manhã, após o banho e o café, o consultor de vendas Alexandre Stenio Guimarães, 37 anos, de Rio Preto, organiza a mesa no seu quarto que hoje se transformou em um espaço dedicado a trabalho, faz algumas ligações, olha os e-mails e inicia a produção.

Tem sido assim todos os dias de segunda a sexta-feira há oito meses, desde que, por causa da pandemia, adotou na sua carreira profissional o uso home office.

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Assim como ele, essa é a realidade de diversos profissionais, como arquitetos, contadores, fotógrafos, jornalistas, publicitários, entre outros que buscaram no conforto do seu lar a prestação de serviço em todo o país.

Cada profissional organiza o home office de maneira que atenda melhor às suas demandas. Uns chegam a ter um espaço exclusivo em casa para atender os clientes, já outros vão até às empresas ou marcam em locais públicos apropriados. Alexandre trabalha como consultor de vendas e faz visitas aos clientes nas empresas. “O benefício maior é a liberdade de fazer o seu horário,” afirma.

Segundo Alexandre, quando precisa entregar um relatório ou orçamento, o local mais próximo que lhe oferecer uma tranquilidade e boa internet é suficiente.

Com relação aos horários, o consultor afirma que é preciso ter foco e disciplina, a liberdade do home office e trabalhar em casa pode ajudar ou atrapalhar já que as distrações podem ocorrer com maior facilidade.

“Uma TV com volume alto, por exemplo, de acordo com a atividade precisamos de atenção, quando preciso desenvolver alguma atividade gosto de silêncio, assim já facilita a concentração”, conclui.

Uma pesquisa da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP) em parceria com a Fundação Instituto de Administração (FIA) mostra que há um grande potencial de expansão do trabalho em home office no Brasil, pós pandemia da Covid-19, em cargos de nível superior, gestores e professores. O estudo ouviu 1.566 profissionais em home office.

Segundo a pesquisa, os trabalhadores ouvidos reportaram altos níveis de satisfação com seu trabalho em casa e uma percepção de que seu desempenho foi impactado positivamente com a modalidade do tele trabalho: 70% disseram que gostariam de continuar trabalhando em home office depois da pandemia, 19% afirmou que não gostariam e 11% que são indiferentes.

O publicitário Luciano Neves, 26 anos, de Rio Preto, é um dos profissionais que diz querer continuar com o trabalho home office pós pandemia. Ele que trabalha em uma agência de publicidade, desde março está fazendo seus trabalhos de casa.

As reuniões da empresa, segundo ele ,são todas feitas via chamada de vídeo, e quando precisa ele vai até o cliente ou resolve tudo por telefone, whatsapp ou e-mail. “Se o trabalho é remoto ele pode ser feito de qualquer lugar, o home office tem dado certo”, afirma.

Josy Caetano, jornalista, 39 anos, de Rio Preto, se dividiu entre o trabalho interno na empresa e o home office. Segundo ela, nesse tempo fez um trabalho de consultoria de marketing internamente na empresa por três meses e faz uma semana que voltou a trabalhar home office.

Em relação a preferência do trabalho home office e internamente na empresa, a jornalista diz que os dois tem suas vantagens. No caso dela trabalhar em casa é bom porque por ter filha pequena e precisar de um suporte pras aulas online ela pode auxiliar. Mas por outro lado, o home se trabalha mais, nunca termina o expediente as 18h, se está em reunião quando é home, a criança pode aparecer gritando, brincando.

Adequado – Especialistas alertam que para trabalhar home office é preciso ter locais adequados para não ser prejudicial a saúde. O neurocirurgião Pedro Henrique Cunha, 31 anos, explica que mesas e cadeiras inadequadas para trabalhar causam dor não só na lombar, mas nos braços, pescoço e pernas.

O especialista afirma que como a mobilidade diminuiu as pessoas ficaram mais sedentárias e sem praticar atividades físicas, as dores podem aparecer e o modo como se sentar na cadeira, por exemplo, pode piorar. “As pessoas deixaram de fazer exercícios como pilates, por exemplo, o que faz com que a musculatura se enfraqueça e encurte, causando dor nas costas”, esclarece.

Especialista orienta para locais e móveis adequados para trabalhar home office – Foto Arquivo Pessoal
O publicitário Luciano Neves é um dos profissionais que diz querer continuar com o trabalho home office pós pandemia – Foto Arquivo Pessoal

Janaína PEREIRA – Redação Jornal Dhoje Interior