Obra de drenagem na Murchid Homsi pode tirar árvores e vira polêmica

Foto_Fabrício Spatti

O projeto, segundo o secretário, ainda está em estudo e nada definido

Projeto de retenção de enchentes da Avenida Murchid Homsi, que vai alargar e aprofundar a calha do Córrego Aterradinho, onde se encontra o que é considerada a última “floresta urbana” de Rio Preto, é forte e intenso nas redes sociais.

Alguns perfis afirmam que todas as árvores serão erradicas para permitir a reforma, pista de caminhada e ciclovia. Outros dizem que as árvores que serão retiradas vão ser replantadas.

Consultado, o secretário de Obras, engenheiro Israel Cestari, disse que “esse projeto contempla a retenção da Avenida Murchid Homsi, é um projeto que está sendo elaborado ainda. Então, até agora, não tem nada definido. Nós vamos ter reuniões internas ainda para discutir” como fazer.

O debate se dá em função da falta de acompanhamento dos atos do Poder Executivo. O projeto está previsto entre as obras do pacote que a Câmara de Rio Preto aprovou em setembro do ano passado permitindo a contratação dos R$ 300 milhões em empréstimos junto a bancos pela Prefeitura.

Nele, o projeto é descrito como de micro e macrodrenagens do Córrego Aterradinho, urbanização e pista de caminhada. Além dele, descreve ainda outros 41 projetos a serem implantados com o dinheiro. Para aquela obra, estão reservados R$ 36 milhões.

Dia 16 de maio, um requerimento do presidente da Câmara, Pedro Roberto Gomes (Patriota) mostra quanto os vereadores votam propostas do Executivo sem observar o conteúdo.

Ele enviou um documento cobrando esclarecimento de um projeto que passou pela sua mão e que foi votado na Câmara. Diz que é cobrado pelo pelos moradores e, questionado pela Associação dos Moradores do Daud Simão. Quer informações do “projeto de drenagem e revitalização da avenida” se ele prevê principalmente a retirada de árvores, além de previsão do início das obras.

Segundo ele, a questão das árvores que podem ser suprimidas é o principal alvo de críticas.

Nesta terça-feira, durante uma entrevista, a professora Delcimar Teodósio, especialista em mobilidade urbana, do curso de arquitetura da Unirp, disse que fica triste, mas que a obra vai “encaixotar o córrego” e é necessária porque a cidade cresce à montante (acima da nascente) e causa alagamento.

Essas obras complementares, explica, devem ser feitas nos bairros já as águas pluviais acabam na Avenida. Como Ercília e Diniz, Vila Elvira e Tereza. Ela sugere “jardins de chuva”, que são construídos nas calçadas.

As árvores do local são exóticas (não são nativas) e que serão sim eliminadas, segundo ela, mas serão replantadas. Deu como exemplo, as reformas da Juscelino e da José Munia.

Nota da Prefeitura

O assunto tomou tal dimensão nas redes sociais e na sessão da Câmara desta última terça-feira (17) que a Prefeitura emitiu uma nota.

“A Prefeitura de Rio Preto, por meio da secretaria de Obras, informa que não procede a informação de que todas as árvores serão retiradas da avenida Murchid Homsi. O Município possui foco principal na preservação do meio ambiente, com a formação de uma Comissão, composta por técnicos, engenheiros, agrônomos e secretários municipais, que antecede qualquer tipo de projeto. A equipe realiza estudos técnicos constantes para racionalização e uso do espaço, sem prejuízos ao meio ambiente”.

Segue informando que “a cidade foi por três vezes consecutiva eleita a cidade paulista que melhor cuida do meio ambiente (Programa Município VerdeAzul – PMVA), da Secretaria Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente (2018-2019-2020), o que mostra a preocupação do Poder Público com a preservação.”

Conclui dizendo que “a realização de estudos técnicos, que antecedem o projeto, contempla obras de acessibilidade, soluções de micro e macrodrenagem, mobilidade urbana e meio ambiente.”

Da REPORTAGEM