Nova alta no preço da gasolina deve derrubar consumo, diz presidente do Sincopetro

Uma possível queda no consumo de gasolina preocupa o setor de combustíveis.  A afirmação é do presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), Roberto Uehara, após a Petrobras anunciar o reajuste de R$ 0,15 do preço médio do litro da gasolina vendida nas refinarias. O novo valor é de R$ 1,98 para as distribuidoras a partir desta terça-feira (19).

Uehara diz que a tendência é de queda no consumo de gasolina, visto que o aumento do valor do combustível impacta no comportamento dos motoristas. “É preciso acompanhar para verificar como o mercado vai se acomodar diante do reajuste”, adianta.

Dhoje Interior

Segundo o presidente do Sincopetro, o aumento preocupa os proprietários de postos de combustíveis porque a economia está estagnada em decorrência da pandemia, fechamento de empresas e desemprego. “Nada podemos fazer, pois não somos nós que definimos as políticas econômicas e cotação do dólar”, diz.

Segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizado na semana entre os dias 10 e 16 de janeiro, o litro médio da gasolina comum em Rio Preto custava R$ 4,260; o do diesel, R$ 3,611; o do etanol, R$ 2,896,

Uehara acrescentou ainda que a alta da gasolina é inevitável, pois o dólar é o principal parâmetro. “O dólar está subindo novamente, no exterior o preço do barril de petróleo segue a cotação do dólar. Infelizmente o combustível vai subir e quem paga é o consumidor final”.

Ele destaca que outro fator que provocou a elevação do preço da gasolina foi o reajuste da alíquota do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) autorizada pelo governador João Doria, que incide sobre o combustível. “O setor de combustível vai repassar ao consumidor final o aumento da refinaria e o imposto, acrescido do custo operacional e lucro”, comenta.

Em nota, a Assessoria de Imprensa da Petrobrás informou que os preços praticados pela Petrobras têm como referência os preços de paridade de importação e, desta maneira, acompanham as variações do valor do produto no mercado internacional e da taxa de câmbio, para cima e para baixo. No ano de 2020, o preço médio da gasolina comercializada pela Petrobras atingiu mínimo de R$ 0,91 por litro.

Gás de cozinha –  A alta na refinaria afeta tanto o preço da gasolina quanto o valor do gás de cozinha (GLP). O preço do botijão de 13 kg reflete o valor internacional da comercialização do barril de petróleo, o preço do dólar e os impostos.

Segundo a proprietária do depósito do Gás Boa Vista, Telma Elisa Camilo Tonelli, os consumidores já estão sentindo a alta desde o ano passado. “De junho até o momento houve 14 aumentos no valor do gás, que era de R$70 e já está sendo comercializado a R$90; teve mês que o valor subiu três vezes”, comenta.

Telma explica que o petróleo regula o preço do gás, assim como o dólar e o reajuste do ICMS feito recentemente pelo governador do Estado. “Diversos fatores influenciaram a alta do produto. Somente neste mês foram repassados dois aumentos, não consigo nem fazer placa de anúncio de gás porque sempre tenho que alterar o preço”, diz.

Por Sue PETEK – Redação Jornal DHoje Interior