‘NOS BASTIDORES DA POLÍTICA’ – Deputados federais focados em cargos na ‘Ilha da Fantasia’

‘Ilha da Fantasia’

A grande maioria dos parlamentares lá em Brasília parece que vive na ‘Ilha da Fantasia’, longe da pandemia provocada pelo vírus. Uma explicação: ao invés de estar cobrando do governo central ações efetivas para controlar a pandemia até que a população seja imunizada, parte deles está de olho nos cargos oferecidos para eleger Arthur Lira (PP-AL, foto) à Presidência da Câmara. Lira, que vai enfrentar Baleia Rossi (MDB), tem mais bala na agulha pôr ter o apoio do Planalto. São poucos que levantam a bandeira para defender os direitos dos cidadãos, neste momento crucial. O foco é legislar em causa própria. Como o eleitor não acompanha o desempenho de seus representantes, ano que vem tem eleições e a maioria terá chancelado o direito de permanecer na ‘Ilha da Fantasia’ por mais quatro anos. O tempo passa, o governo central permanece inerte e o vírus avança!  

Dhoje Interior

Medo

João Doria (PSDB) tem trocado farpas com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a eficácia da Coronavac. Bolsonaro parece se incomodar com o fato de o governador pleitear a Presidência da República. Será que o presidente de plantão tem receio de enfrentar o tucano nas urnas? Agora, se fizer uma avaliação sem paixão, Doria sobressaiu ao defender protocolo de segurança para controlar o vírus. Se Bolsonaro tivesse feito o mesmo, se aliando aos governadores e prefeitos, a pandemia poderia estar menos agressiva.

Espinafrada

As pessoas conscientes seguem o protocolo de segurança recomendado pelos profissionais da área sanitária para evitar a propagação da covid-19. Além disso, tem de enfrentar a propagação de informações falsas na rede social contra a vacinação para controlar o mais rápido possível a pandemia do vírus. A vacina mais espinafrada é a da Coronavac, que está sendo produzida pelo Instituto Butantan. Fato: politicagem à parte, a vacina é a que pode salvar o emprego de muita gente, com a retomada do crescimento econômico.

Hilário

Analisando a decisão do governo federal de proibir que as empresas privadas adquiram vacinas para imunizar seus funcionários, o infectologistas Max Igor Lopes, do Hospital das Clínicas da Usp, disse que seria interessante a participação privada para agilizar a imunização, a fim de reduzir a incidência da infecção pelo coronavírus. Agora, seria hilário se as empresas fossem liberadas e o processo começasse antes do governo, responsável pelo Plano Nacional de Imunização. Se não fosse proibido, já estavam vacinando.

Dedução

Projeto permite a dedução do imposto de renda para médicos e clínicas que prestarem serviços gratuitos. O montante da dedução é limitado a 70% do valor pago pelo SUS para consulta ou exame semelhante realizado em hospital conveniado. O texto ressalva que não devem ser considerados, para o cálculo da dedução, os atendimentos ou exames pagos pelo SUS. O médico ou a clínica, se a proposta for aprovada, deve apresentar, anualmente, relatório de suas atividades no exercício anterior. A proposta tramita na Câmara Federal.

Apático

O governo João Doria (PSDB) entrou no seu terceiro ano e até agora não realizou nenhuma obra de impacto para beneficiar a população da região. Rio Preto contribui mensalmente com arrecadação generosa de impostos repassada ao estado. O problema que dificulta a vida da população, por exemplo, é a falta da construção da terceira pista de rolamento entre Rio Preto e Mirassol. Nos momentos de pico, o trânsito fica estrangulado devido ao fluxo intenso. Falta de pedido não é, porém, até agora o governo continua apático.

Abastecer

O leitor da coluna deve ter percebido que a maioria dos assuntos divulgados neste espaço ultimamente tem focado informação nacional, estadual e internacional. Acontece que os representantes locais não têm gerado informação para abastecer o noticiário político. Talvez seja falta de articulação ou disposição para gerar fatos com conteúdo para serem divulgados. Em suma, é uma pobreza que os jornalistas da área enfrentam no dia a dia para levar alguma informação palatável até o leitor. Mas, como a covid-19, vai passar.

Gigante estagnado

Um dos temas mais polêmicos a serem discutidos pelo Congresso em 2021 é a reforma administrativa. A proposta de emenda à Constituição enviada em setembro de 2020 pelo governo federal restringe a estabilidade no serviço público e cria cinco tipos de vínculos com o Estado. As mudanças só valerão para os novos servidores. A proposta prevê que leis complementares tratarão de temas como política de remuneração, ocupação de cargos de liderança e assessoramento, progressão e promoção funcionais e definição das chamadas “carreiras típicas de Estado”. Na exposição de motivos do texto enviado à Câmara, o ministro da Economia, Paulo Guedes, aponta que a percepção do cidadão é de que “o Estado custa muito, mas entrega pouco”. Ele argumenta que a reforma pretende evitar um duplo colapso, na prestação de serviços à população e no orçamento público. Fato: reforma… reforma… e o gigante continua estagnado. Importa quase tudo! O diabo é que o fracasso está diretamente ligado à política…

Por Venâncio de MELLO – Redação jornal DHoje Interior