Mulher perde R$ 1,8 mil em golpe do WhatsApp clonado da amiga

A Polícia Civil de Rio Preto registrou mais um golpe aplicado em Whatsapp clonado. Dessa vez, uma mulher de 54 anos acreditando que a amiga estava precisando de dinheiro acabou realizando uma transferência no valor de R$ 1.880 para a conta de uma estelionatária. O caso foi registrado nesta segunda-feira (2).

Segundo informações do boletim de ocorrência, o Whatsapp de uma esteticista, de 41 anos, foi clonado após ela receber uma ligação para confirmar a participação dela em uma palestra on-line. Após um tempo, ela soube por seus amigos que através do número de telefone dela estavam enviando mensagens a seus contatos pedindo dinheiro.

Dhoje Interior

Uma das amigas da esteticista atendeu ao pedido e acreditando estar emprestando dinheiro para a amiga, fez a transferência no nome de outra mulher.

Outro casos – casos de golpes através de WhatsApp clonados vem crescendo. Pelo menos  Outras três pessoas tiveram seu aplicativo de mensagem invadido no último mês. Após um arquiteto, de anos 23 anos, procurar a Central de Flagrantes de Rio Preto para denunciar que foi vítima de estelionatários, uma comerciante, de 49 anos, e uma comissária de voo, de 40 anos, também caíram no golpe.

A Polícia Civil constatou um aumento no número de crimes de estelionato praticado na internet desde que teve início a pandemia da Covid-19.

“Ele fala com tanta segurança e as instruções são tão claras, que por nem um momento eu duvidei e, acreditando, acabei informando para ele o código que recebi”, relatou a comissária de voo, que teve como promessa a troca de seu telefone celular.

O golpista disse que o número de telefone dela havia sido sorteado após a compra que ela fez em uma das lojas e, justamente, em fevereiro do ano passado a vítima havia comprado um novo aparelho celular.

O delegado assistente da Seccional e coordenador do Centro da inteligência da Polícia Civil, Alexandre Del Nero Arid, ressalta o fato de que crimes de estelionato sempre existiram, o que ocorre é que, agora, os bandidos mudaram o jeito de agir.

“A pandemia fez com que as pessoas passassem a fazer compras pela internet, ao invés de ir a uma loja ou restaurante. Ao mesmo tempo lojas e outros estabelecimentos que não estavam em operação online também passaram a oferecer, estimulando a negociação. Ao utilizar o meio digital, de forma descuidada, a pessoa acaba sendo fisgada por benefícios e promessas que não serão cumpridas”, explica o delegado.

Ele ainda acrescenta que os registros de boletim de ocorrência eletrônico tiveram um “aumento exponencial de casos de estelionato nos últimos meses, isso em virtude dos crimes praticados na internet ou em aplicativos”.

No caso do arquiteto, no final de semana passado ele tinha ido a um restaurante em São Paulo e que divulgou fotos do local em seu perfil no Instagram. Depois, ele recebeu uma mensagem em sua rede social, na qual a pessoa se identificou como da gerência do restaurante e informou que após analisar perfis no Instagram, o dele havia sido escolhido e contemplado em um sorteio com um jantar.

A comerciante contou à Polícia Civil que recebeu a ligação de um homem dizendo que ela havia sido sorteada para participar de uma plateia virtual do programa da atriz conhecida nacionalmente, Monica Martelli. Conforme o relato da comerciante, ela acreditou que o contato estava sendo pela equipe da atriz, tento em vista que conversa, via WhatsApp com Mônica.

As vítimas só souberam que caíram no golpe quando amigos e familiares lhe questionaram o porquê delas estarem pedindo dinheiro emprestado. “Essa é a atitude a ser tomada. Caso receba uma mensagem pedindo dinheiro em nome de um amigo ou familiar, ligue e se certifique se a pessoa mesmo fez esse pedido. Após a aplicação do golpe, é difícil conseguir reparar o dano sofrido. Isso porque, os estelionatários usam documentos falsos para habilitar linha telefônica, para abrir conta corrente”, conclui o delegado Arid.

Como o golpe funciona

O enredo foi diferente para cada uma dessas três vítimas, porém, a orientação que o golpista dá para ter acesso ao código de segurança do WhatsApp é a mesma: para receber o prêmio é necessário informar um código que é enviado para o celular da vítima, por mensagem via SMS ou e-mail. Entretanto, o código exigido pelo golpista é o de ativação do WhatsApp.

Depois que a senha é obtida, o golpista acessa a conta da vítima e passa a conversar com amigos e familiares. O objetivo é pedir dinheiro emprestado em nome da vítima, sempre alegando uma situação urgente ou de emergência, comovendo o contato a realizar um depósito. Ainda que se tente acessar novamente a conta, após ser desconectada pelo golpista, a vítima não consegue.

Como parte da estratégia, a verificação em duas etapas do WhatsApp estará ativada, o que faz com que o aplicativo exija uma senha para ser reativado no mesmo número. Na prática, a vítima fica bloqueada em sua própria conta.

Recuperar o WhatsApp

Para tentar recuperar a conta no aplicativo, as vítimas do golpe devem enviar um e-mail ao suporte do WhatsApp ([email protected]). Se mesmo assim não der certo, será necessário aguardar sete dias de inatividade na conta para reativar o número sem a senha de verificação de duas etapas.

O WhatsApp recomenda, na mensagem que contém o código, que ele não seja enviado para terceiros.

Policia Civil orienta:

– Antes e fazer qualquer negociação pela internet, pesquise a idoneidade da empresa. Sair da rede social da empresa e entrar no site oficial da empresa; ligar para o SAC da empresa; ou seja, tomar todas as cautelas de que a empresa realmente, esteja oferecendo determinado desconto ou prêmio;

– Fazer todos os códigos de segurança que o app ou site oferecer. O WhatsApp, por exemplo oferece esse serviço (descrito acima);

– Nunca passar códigos de segurança nenhum a ninguém. Os sites e aplicativos não tem a prática de fazer essa solicitação ao cliente;

– Quem recebe pedido de dinheiro, por parte, supostamente, do amigo ou familiar, deve se certificar. Para isso, ligar para a pessoa e confirmar o pedido. Nunca efetuar um depósito sem antes ter feito a verificação;

–  Comprar somente em sites consolidados no mercado.

Tatiana PIRES – Redação Jornal DHoje Interior
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