Motoristas reclamam de propaganda enganosa em postos de combustíveis e queixas disparam

Posto foi denunciado por suposta propaganda enganosa (Foto: Cláudio Lahos)

Proprietários de postos de combustíveis têm autonomia para definir os preços cobrados pelo litro da gasolina, do etanol e do diesel, mas aumentos injustificados na bomba e promoções enganosas são considerados abusivos e podem ser denunciados. Segundo dados do Procon, a maioria das reclamações registradas contra postos de combustíveis é referente a publicidade e venda enganosas.

Durante todo o ano de 2018, foram registradas oito reclamações dessa natureza no Procon de Rio Preto. Somente nos quatro primeiros meses deste ano já foram oito queixas sobre o mesmo assunto.

Dhoje Interior

O caso mais recente aconteceu na manhã desta quinta-feira (2), quando uma motorista de 32 anos foi abastecer o veículo no posto de combustível Pai Herói, localizado na Vila Maceno, em Rio Preto.

Atraída pela promoção que anunciava o preço da gasolina por R$ 3, 77 o litro a cada 30 litros, porém a vítima só percebeu a fraude após verificar na nota fiscal o valor cobrado que era de R$ 4,369. A mulher registrou o caso na Central de Flagrantes e foi orientada a procurar o Procon.

“Nós temos 11 reclamações abertas de 2018 até 2019 em relação a esse posto. Já notificamos a Fundação Procon, em outubro do ano passado, e até hoje não objetive resposta do Núcleo Regional da Fundação Procon que é encarregado de fazer as fiscalizações, uma vez que o Procon de Rio Preto não tem fiscalização municipal”, explicou o diretor do Procon rio-pretense, Arnaldo Vieira.

Ainda sobre o referido posto, ele ponderou que “encaminhei para o Ministério Público em dezembro do ano passado para investigação e foi indeferido. O Ministério Público disse que não houve nenhum tipo de lesão ao consumidor. O que a gente pode orientar as pessoas é para elas irem na internet, irem no Reclame Aqui, irem no Consumidor.gov”.

“A gente orienta os consumidores a fazer campanha para não abastecerem mais, exatamente como a gente pressionou em 2017 e mostramos que houve alinhamento de combustível, as pessoas foram para internet e quando acontece isso as entidades de classe começam a prestar atenção e entram na jogada. Nessa questão do posto, as pessoas simplesmente têm que pararem de abastecer e não ir somente pelo melhor preço, talvez ir pela qualidade e referência de outros lugares onde outras pessoas estão abastecendo”, acrescentou Vieira.

O diretor do Procon orientou ainda que é preciso ter atenção redobrada em relação aos preços muito baixos e promoções fantasiosas. “Outros postos até possuem reclamação, em níveis muito menores. Casos espaçados. Temos que alertar o consumidor em relação ao preço barato, o consumidor tem que estar esperto, muito barato vai sair caro, não tem qualidade, tem a questão da adulteração, a gente não tem elementos aqui em Rio Preto que consigam provar a adulteração, então é uma cadeia de fatores envolvendo tudo isso”, salientou.

Apesar do aumento das reclamações envolvendo postos de combustíveis, quem ocupa o topo do ranking de reclamações do Procon, levando em consideração os quatro primeiros meses deste ano, é assunto financeiro (bancos, cartão de crédito, financeiras), com 940 queixas. Já ‘Serviços Essenciais’ (telefonia celular e fixa, água, energia elétrica) ocupa o segundo lugar, com 801 reclamações.

Outro lado

A reportagem do jornal DHoje tentou contato com o presidente do Sincopetro de Rio Preto, Roberto Uehara, mas não obteve resposta. O posto citado na reportagem também não atendeu as ligações.

Por Mariane DIAS