Médica rio-pretense será voluntária no combate à Covid-19 em Manaus

A Associação Médica Brasileira (AMB) criou uma força-tarefa com médicos voluntários para ajudar no combate contra à Covid-19 em Manaus. A capital do Amazonas enfrenta uma crise causada pela pandemia, com falta de cilindros do oxigênio e insuficiência de leitos de UTI para os pacientes mais graves. Além disso, pelo menos 200 casos de uma nova variante do coronavírus já foram confirmados no município, segundo o Ministério da Saúde e a Secretaria Estadual de Saúde do Amazonas.

Uma das médicas que fará parte do grupo de voluntários que irá atuar em Manaus é a rio-pretense recém-formada em medicina Beatriz Barreira Motta Bambini. Criada em Rio Preto, ela vive atualmente em São Paulo, onde concluiu o curso no final do ano passado. Em seu último ano de medicina, ela chegou a atender pacientes com Covid-19 no Hospital São Paulo da Unifesp.

Dhoje Interior

“No início eles quiseram afastar os estudantes de medicina para não ter muita exposição, mas viram que o cenário não estava melhorando e voltamos a ter aulas práticas. Com isso, tivemos bastante contato com pacientes na enfermaria e da UTI. Foi uma experiência muito rica, mas muito difícil de lidar. Vi pacientes que conseguiram se recuperar e outros não, e acaba sendo frustrante fazer tudo o que você pode e acabar não sendo o suficiente”, comentou.

Embora não tenha ainda nenhuma especialidade, Beatriz está começando a atuar com estratégia de saúde da família. Ela viajará para Manaus neste sábado (20) e ficará até o dia 27, mas ainda não foi informada em qual hospital ela atuará.

“Sabemos que os profissionais de saúde estão sobrecarregados e eu decidi ir pra lá ajudar. Acredito que vai ser uma boa experiência profissional e que vou aprender muita coisa, além de ajudar a salvar vidas”, comentou a médica.

Segundo a assessoria do AMB, um grupo de 24 médicos já desembarcou na cidade (seis no dia 6/2 e 18 no dia 13/2). A partir do dia 21, chegarão mais sete médicos, incluindo Beatriz e o coordenador da força-tarefa, Fernando Tallo. Desde a chegada do grupo, 21 leitos foram ativados no Hospital Newton Lins e sete no Instituto da Mulher. “Temos ainda a previsão de mais 30 leitos no Hospital Delphina Aziz”, comentou Tallo.

Os médicos que já estão no Amazonas já relataram falta de luvas de procedimento, óculos, máscaras N95, além de medicações, como bloqueadores neuromusculares, fundamentais para os pacientes graves. A Força-Tarefa da AMB foi inspirada na missão humanitárias que médicos voluntários brasileiros realizaram em Porto Príncipe, capital do Haiti, quando um terremoto devastou a cidade em 2010. Na ocasião, 300 mil pessoas morreram e mais 300 mil ficaram feridas.

A médica rio-pretense se formou no final do ano passado.

Por Vinicius LIMA – redação Jornal DHoje Interior