Marmitas viram opção barata, prática e procura dobra em Rio Preto

Nathália Rodrigues_Arquivo PESSOAL

São muitos os fatores que levam uma pessoa a escolher comer marmita ao invés de fazer a própria comida. Tempo, custo, vocação e até problemas de saúde interferem e com a pandemia essa opção se tornou um mercado lucrativo para empresários do setor de alimentação. Em Rio Preto, a demanda está aquecida e há quem afirme que a procura dobrou.

O economista José Mauro atribui esse aumento ao momento de forte pressão sobre os custos de produção dos alimentos e, consequentemente, ao repasse desses valores nos produtos que compõem a cesta básica.

Dhoje Interior

“Isso se deve ao desarranjo da cadeia produtiva nacional e global devido a pandemia. No entanto, essas pressões começam a dar sinais de perda de força e os preços tendem a se acomodar num patamar bastante superior ao verificado antes da Pandemia”, explica.

Segundo o especialista, Rio Preto é uma cidade que acomoda uma população significativa de pessoas que vêm das cidades da região, que moram aqui sozinhas e, portanto, não têm uma estrutura familiar que favoreça uma rotina de alimentação diária ou semanal.

“Essa população, incluindo muitos aposentados, entende ser mais vantajosa a alimentação pronta, marmitas, restaurantes, do que uma estrutura de custos para manter a alimentação em casa. Isso porque exige aquisição semanal de produtos, muitos perecíveis e a rotina não permite consumir toda essa alimentação, gerando perdas e desperdícios”, ressalta.

Além disso, José Mauro destaca a dificuldade para um cardápio diário variado, que requer tempo e habilidades para cozinhar, o que faz muitas pessoas não se sentirem aptas a enfrentar o fogão em casa.

“Está muito caro manter uma alimentação mínima em casa, ainda que seja economicamente mais vantajoso, mas, se somar outros custos, tais como o tempo, a rotina, aquisição de alimentos, desperdícios, gás, qualidade e comparar ao custo de aquisição diária, tem valido mais a pena a aquisição da alimentação básica, pronta, mais fresca, mais variada e com o mesmo custo da produção diária em casa”, argumenta o economista.

Elisabete Torre_Arquivo PESSOAL

Todo esse cenário favoreceu – e continua favorecendo – empresários do ramo, como é o caso da Elisabete Torres, 51 anos, que era cozinheira em um restaurante e há seis meses se tornou a proprietária do local onde trabalhava.

“O restaurante sempre teve ótimo fluxo de vendas de marmitas, mesmo durante a pandemia, no entanto, meu ex-patrão  iria fechar o estabelecimento por questões de saúde e eu resolvi comprar, passando de cozinheira a proprietária, porém, continuo cozinhando”, conta.

Elisabete diz que, atualmente, tem sete clientes que se tornaram mensalistas, devido à praticidade de ter o alimento feito na hora e com um valor acessível. “Esses mensalistas são pessoas que trabalham o dia todo e idosos que acabam preferindo a praticidade de ter nossa marmita feita na hora. Muitos compram para almoço e janta, principalmente os idosos”, destaca.

No período mais crítico da pandemia, Elisabete vendia em torno de 500 marmitas por mês e hoje essa demanda quase dobrou. “O fluxo aumentou muito, quase dobrou. Hoje eu vendo, em média, 900 marmitas por mês ou mais. Nossa empresa é familiar e trabalhamos somente com delivery ou retirada, sem atendimento presencial”, acrescenta.

Outro exemplo bem sucedido é o de Nathália Rodrigues, que há quatro anos tem uma empresa de marmitinhas fitness. “O que eu mais ouço é sobre praticidade. Porém, essa semana estava conversando com um cliente e ele falou que além da praticidade a economia é muita, porque quando ele fazia comida gastava cerca de R$ 400,00 por mês. Agora, comprando as marmitinhas comigo, está gastando R$ 279,00. Sem contar que eu faço as marmitinhas dele seguindo a tabela nutricional”, relata.

Nathália começou sozinha e hoje conta com uma cozinheira, uma freelancer e um motoqueiro para as entregas. “Eu fico mais no celular e agora bem pouco na cozinha, só quando precisa mesmo. No período mais acentuado cheguei a fazer 600 marmitinhas por semana, atualmente, como muitas pessoas perderam o emprego e também devido à crise econômica, estou vendendo cerca de 350 marmitinhas por semana”, salienta.

Os clientes da Nathália se dividem em semanais, quinzenais e mensais.

Por Andressa ZAFALON