MAIS FÉRTIL – Perguntas e respostas em Reprodução Humana

É possível engravidar com falência ovariana/menopausa?*
Sim. O uso de óvulos doados permite gravidez após falência ovariana/menopausa. A menopausa em nada interfere na chance de sucesso ao se utilizar óvulos doados.
*Para não recorrer a óvulos doados, mulheres acima dos 40 anos terá maiores chances se fizer biópsia no embrião formado com seus óvulos?*
Não. A chance total de gravidez cai aproximadamente 25% se realizar a biópsia: parte porque alguns dos embriões com resultado anormal seriam bebês saudáveis (o teste erra em 5% dos casos), parte pela manipulação adicional do embrião que a biópsia exige.
A chance de gravidez somente aumenta quando comparamos que transferiu embriões biopsiados normais com quem transferiu embriões sem biopsiar, mas deve-se lembrar que muitas mulheres que biopsiam os embriões acabam não tendo embriões para transferir.
Após muito refletir sobre o assunto, considero que somente deve considerar biopsiar os embriões quem tem boa reserva ovariana (forma pelo menos 6-10 embriões) e tem alto risco de aneuploidia (idade > 40-42 anos ou translocação cromossômica). Nesta situação, biopsiar o embrião pode evitar perder tempo com transferências
*Qual o primeiro passo para ser doadora?*
Ter até 35 anos e entrar em contato com o laboratório de Reprodução Humana , com um dos médicos especialistas.
Como é o programa de embrião doado?
Os embriões excedentes de famílias que já tiveram seus filhos podem ser doados para pessoas com diversas causas de infertilidade.O casal doador deve ter idade limite de 35 anos para mulheres e 50 para homens.
Nos laboratórios há embriões disponíveis e é possível fazer uma busca prévia de acordo com as características do casal receptor.
Qual o primeiro passo para ser receptora e entrar na fila para aguardar doadora?
O primeiro passo é consultar com um  médico que trabalha com Reprodução Humana para avaliação. Em seguida, por se tratar de um programa sigiloso, o médico encaminhará a paciente para entrar em contato com o setor de ovorecepção para entrevista, para então começar o pareamento da doadora com a receptora.
Em caso de baixa reserva, o que é mais rápido (considerando o tempo de aguardar doadora): tentar com óvulos próprios ou doados?
Depende muito da idade (por exemplo, com 35 anos é totalmente diferente de 44 anos) e do grau de baixa reserva ovariana (por exemplo, muito diferente se conseguimos 3-5 óvulos por vez de quando temos dificuldade para conseguir 1).
Qual a diferença de probabilidade de sucesso para óvulo doado e embrião doado? Qual aumenta a chance de sucesso?
Ambos são muito parecidos. A única exceção é quando o sêmen é muito ruim e acaba prejudicando a chance de sucesso do tratamento com óvulos doados. Com embriões doados, não haveria problema, pois o embrião já está pronto, não sendo utilizado espermatozoides.
Em caso de ovorecepção, em que o marido tem mais de 60 anos, também pode acontecer abortos devido a idade dele?
Sim, mas o impacto da idade do homem na chance de aborto é bem pequena.
Na ovorecepção, por que muitos médicos não transferem a fresco? Qual a melhor técnica?
Porque algumas vezes o processo não dá certo e ao tentar sincronizar para transferir a fresco acaba gerando estresse e custos desnecessários com viagens/hospedagem/medicações. Desta forma, aumenta-se ainda mais a frustração.
Particularmente, prefiro congelar os embriões e apenas após preparar o útero para a transferência.
Quais exames são recomendados para a receptora antes da transferência?
Apenas os exames pré-concepcionais de rotina e as sorologias sugeridas pela ANVISA.
Como é o preparo endometrio com óvulo doado?
É o mesmo tipo de preparo para transferência de embriões congelados.
*Com o uso de óvulos doados, é indicado realizar exames do endométrio para prever possível dificuldade de implantação antes da primeira transferência, ou aguarda a primeira transferência e possível não implantação?*
Quase todos testes à venda são completamente inúteis, não sendo indicados em qualquer situação. A única condição que vale a pena investigar é a presença de hidrossalpinge, o que pode ser feito pela histerossalpingografia.
*Ao utilizar óvulos doados e a receptora estar acima dos 40 anos, é indicado a transferência de 2 embriões?*
A chance de gravidez com óvulos doados é sempre a mesma, não depende da idade da mulher que vai engravidar. Pode-se escolher por transferir 1 ou 2 embriões. Quanto maior a idade da mulher, mais fortemente recomendamos transferir apenas 1 embrião, uma vez que o risco da gravidez é mais alto quanto maior a idade da mulher, não sendo prudente engravidar de gêmeos.
*Dosar a progesterona antes da transferência de embriões, aumentam as chances de positivo principalmente em receptoras que estão na menopausa?*
Não há vantagens descritas sendo a dosagem totalmente dispensável. Ela é utilizada apenas para aumentar a segurança de que tudo aconteceu como previsto.
*No laboratório é possível ver a foto da doadora? O médico responsável pode ver a foto? Como ter confiança na ovorecepção sem ver foto?*
O programa vê as fotos e faz o pareamento. O médico responsável pode ver as fotos, mas também não pode mostrar às suas pacientes por exigência do Conselho Federal de Medicina. A confiança no programa vem com a confiança no serviço. Lembrando que um serviço não confiável pode mostrar fotos de uma pessoa que não seja a doadora.
* Minha irmã pode ser minha doadora?*
Apenas com autorização judicial, pois o CFM exige doação sigilosa. Se sua irmã tiver mais de 35 anos a situação fica ainda mais difícil, pois a ANVISA exige que a doadora tenha no máximo 35 anos.
*Doadora com sangue O é mais difícil de encontrar? Qual é o tipo sanguíneo mais difícil?*
Segue a distribuição de tipos sanguíneos observadas no Brasil
O+ = 36%; O- = 9%
A+ = 34%; A- = 8%
B+ = 8%; B- = 2%
AB+ = 2%; AB- = 0,5%
*É aconselhável biópsia para óvulos doados?*
Não.
*Quais exames são exigidos das doadoras?*
É realizado um exame físico detalhado, buscando ativamente por sinais de doenças genéticas, ultrassonografia do útero e ovário para avaliação da reserva ovariana, todas as sorologias para doenças infecciosas exigidas pela ANVISA (atualmente exigindo até o COVID), hemograma, glicemia, TSH, tipo sanguíneo, eletroforese de hemoglobina e o cariótipo.
*Como as receptoras podem se sentir seguras quanto a qualidade dos óvulos recebidos?*
Apenas depois da gravidez. Não há como saber nada antes. Mas nosso programa é bastante efetivo e temos já muitos bebês nascidos. Além disso, há garantia de formação de blastocisto por cada kit utilizado.
*Qual o tempo médio de espera da receptora?
Muito variável, dependendo das características físicas da pessoa que está desejando óvulos.
*Dá para saber o motivo da infertilidade da doadora?*
Muitas vezes a doadora nem é infértil e está fazendo doação de forma voluntária ou para beneficiar uma pessoa querida. Evitamos passar informações desnecessárias para minimizar o risco de quebra de sigilo.
*É necessário que a doadora tenha o mesmo tipo sanguíneo que a receptora?*
A escolha do tipo sanguíneo não tem nada a ver com o resultado e nem com qualquer risco de saúde. É apenas para evitar que a criança (ou qualquer outra pessoa) suspeite que não tenha a carga genética de um dos pais ao comparar o seu tipo sanguíneo com o tipo sanguíneo dos pais.
Por Luiz Fernando Gonçalves Borges – médico ginecologista e obstetra, pós-graduado em Reprodução Humana