Jovem com Síndrome de Down rompe barreiras na sociedade

Ele decidiu ser educador físico. Filho de uma neuropsicopedagoga e um promotor de Justiça, Renan Henrique Codogno, 23 anos, não deixou com que a Síndrome de Down o impedisse de realizar sonhos.

Como muitas crianças da sua geração, Renan recebeu ao nascer uma sentença que poderia mudar positiva ou negativamente a sua vida. “Não estávamos entre o chamado grupo de risco. Eu com 30 anos e meu marido com 31, não tínhamos histórico na família e vimos como um acidente genético, que pode ocorrer em qualquer fase e para qualquer pessoa. E nós tivemos a felicidade de receber a notícia da melhor forma possível e isso nos motivou e nos motiva até hoje”, explicou Sandra Maria Ferreira Codogno, mãe de Renan.

Dhoje Interior

A mãe, Sandra, acabou se afastando de suas atividades na área de Direito para se dedicar totalmente ao filho. “Desde que ele nasceu eu mudei minha vida profissional para que pudesse ajudá-lo mais. Fiz faculdade de pedagogia, várias pós-graduações e hoje tenho uma clínica de neuropsicopedagogia. A intenção é poder ajudar não só o meu filho, mas outras pessoas que não encontram amparo entre a própria família e também na sociedade”, destacou Sandra.

A família de Renan também passou por algumas dificuldades ao longo do caminho. Segundo a mãe do jovem, a maior dificuldade que eles encontraram foi com a falta de informação e conscientização da sociedade em geral. “Ainda existem muitos preconceitos. Falta oportunidade e condições para que as pessoas com síndrome de Down possam mostrar seu potencial”, desabafou ela.

O jovem frequentou escola normal até o ensino médio. Paralelamente ele cursou um técnico em Meio Ambiente pelo Senac, onde pode demonstrar todo o seu potencial. Após terminar o curso técnico, Renan decidiu que era hora de mudar. Amante das atividades físicas ele escolheu o curso de educação física e já está em seu segundo ano.

“Ele tem uma mediadora pedagógica que o acompanha todos os dias, fazendo a ponte entre o professor e os conteúdos. Tudo isso é muito novo, estamos aprendendo juntos. Temos problemas e dificuldades, mas procuramos abertura para discutir e resolver sempre em conjunto, pois além da mediação oferecida pela universidade, temos o suporte da equipe multidisciplinar do Centro do Desenvolvimento Humano. É um trabalho em conjunto”, enfatizou Sandra.

Renan é um menino extremamente ativo. Carinhoso, parceiro e muito aplicado conquista todos por onde passa. Após terminar um relacionamento de cinco anos ele manda um recado. “Estou na pista”. O jovem adora uma balada e seu ritmo preferido é o sertanejo.

Quando perguntamos para Sandra sobre as oportunidades ela diz que se avançou muito, mas o maior avanço ainda está relacionado a aceitação da própria família. “O avanço começa dentro de casa. É preciso que os pais aceitem seus filhos, que acreditem no potencial dele e lutem pelos seus direitos. Acredito que quando isso acontecer, a sociedade vai conseguir enxergar as pessoas com deficiência com outros olhos, com olhar de capacidade e oportunidade. A partir daí estaremos exercendo a cidadania e seremos seres humanos capazes de conviver com as diferenças e transformar a sociedade em um lugar mais justo e igualitário”, completou.

Hoje, de acordo com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Rio Preto, a escola possui um programa de inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, chamado Educação Profissional, onde o aluno é preparado para qualquer setor do mercado de trabalho.

A APAE atende mais de 450 pessoas atualmente, entre crianças, adolescentes, adultos e idosos. De acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2010, cerca de 45 milhões de pessoas apresentam algum tipo de deficiência mental ou física, e aproximadamente 300 mil têm Síndrome de Down.

Além da APAE, a Prefeitura de Rio Preto possui o Programa Emprego Apoiado, que atende todos os tipos de deficiência e encaminha as pessoas que têm condição de trabalhar para empresas parceiras que solicitam vagas.

A Lei de Cotas (Lei 8213/91) determina que as empresas a partir de 100 funcionários devem cumprir uma porcentagem de colaboradores com deficiência, sob pena da empresa receber multa através do Ministério do Trabalho.

Além do Programa de Emprego Apoiado oferecido pela Secretaria dos Direitos para Mulheres, Pessoas com Deficiência, Raça e Etnia, a cidade tem algumas entidades que também ajudam seus usuários na inclusão profissional.

No programa Emprego Apoiado desta Secretaria, é feita a parceria com a iniciativa privada e com o Ministério do Trabalho para encaminhamento das vagas de emprego para PCD. As empresas se cadastram gratuitamente. Atualmente, existem 135 empresas cadastradas. Desde que o programa foi iniciado, foram contabilizados de setembro de 2012 até maio de 2018, 471 candidatos cadastrados e 261 pessoas contratadas no Programa Emprego Apoiado.

A Síndrome de Down é uma alteração genética causada por um erro na divisão celular. Em vez de dois cromossomos 21, os Downs possuem três. Isso resulta em olhos amendoados, baixo tônus muscular e deficiência intelectual – além de maior probabilidade de complicações, como cardiopatia, problemas auditivos e hipotireoidismo.

Só com o avanço das pesquisas e da medicina, as intervenções passaram a ser feitas cada vez mais cedo e a expectativa de vida cresceu de 25 anos (até a década de 70) para mais de 60 anos, nas últimas três décadas.

Por Jaqueline BARROS