Janeiro Brasileiro da Comédia é opção de entretenimento neste sábado em Rio Preto

O Perrengue da Lona Preta

O penúltimo dia do Janeiro Brasileiro da Comédia de Rio Preto é neste sábado (26) e contará com duas apresentações de teatro.

O primeiro, “Sabiás do Sertão”, é apresentado pela Cia Cênica de Rio Preto e a apresentação acontecerá no Centro Cultural Vasco, a partir das 18h30.

O espetáculo “Sabiás do Sertão” nasceu de uma pesquisa desenvolvida desde o início da Companhia e tem como objetivo olhar para as histórias que permeiam o ‘povo’. Baseado na história de Cascatinha & Inhana, Sabiás do Sertão traz o circo e o rádio, que foram muito presentes na trajetória da dupla, e a Cia Cênica leva isso para as cenas através de uma companhia ambulante de teatro, com artistas rapsodos que contam, vivem, tocam, dançam e cantam um pouco da vida e muito do rico repertório de toadas, guarânias, rasqueados, boleros, rancheiras e canções imortalizadas nas vozes destes “sabiás do sertão”.

O espetáculo trata, ainda, dos expoentes da música caipira, Cascatinha & Inhana, primeira dupla sertaneja formada por marido e mulher que, em sua trajetória, reverencia com primazia a cultura de raiz, o ser, estar e viver artista, o prazer da canção e do encantamento. A duração é de 70 minutos com faixa etária livre.

A segunda apresentação é da Trupe Lona Preta, de São Paulo, com a peça “O Perrengue da Lona Preta”, no Teatro Municipal Paulo Moura, a partir das 20h, também neste sábado (26).

O Perrengue da Lona Preta fala sobre o “sagrado” direito à propriedade privada, símbolo da cultura oficial, inspirado na tradição circense. Nele os palhaços Rabiola e Chico Remela reconstroem, de forma divertida, os símbolos, pretensamente eternos da ordem vigente.

A duração da peça é de 60 minutos com faixa etária livre.

Trupe Lona Preta

A Trupe Lona Preta, grupo de teatro composto por pessoas que mobilizam diversas linguagens artísticas, tais como: música, teatro, artes plásticas e cinema, surgiu em 2005, a partir da experiência em saraus e intervenções artísticas organizadas na zona oeste e sul de São Paulo, dialogando com associações de moradores da região e movimentos culturais. Tal experiência coincidiu com o desenvolvimento de uma pesquisa sobre a linguagem do palhaço, o que incentivou ainda mais a prática de colocar em cena, tanto nos saraus como nas ruas, os esquetes criados coletivamente.

Atualmente o grupo conta com cinco integrantes e trabalham com três pilares que configuram a pesquisa que resultou na montagem da peça “O Perrengue da Lona Preta”. Por um lado, o grupo estudou textos que julga de extrema importância para a compreensão das forças que operam na manutenção da ordem vigente.

Outro pilar do trabalho é o estudo do arquétipo cômico, das cenas clássicas de circo, do palhaço popular, de rua, de feira. Nessa pesquisa foi fundamental o livro “Palhaço” de Mario Fernando Bolognese. “Vale ressaltar que é parte fundamental desse estudo a pesquisa de linguagem, que almeja captar na realidade que nos cerca os elementos simbólicos capazes de dar novo folego as ‘palhaçarias’ do picadeiro tradicional. Nesse sentido, buscamos na linguagem e no gesto, cuja natureza dinâmica permite vasto leque de criação, dar novo vigor as velhas cenas clássicas”, explica Henrique Alonso, integrante do grupo.

Por último, Henrique destaca que “a obra de Mikhail Bakhtin, ‘A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François. Rabelais’ foi de suma importância, no sentido em que trouxe os elementos ambivalentes do grotesco e do bufão. Elementos esses, que serviram de ponte entre a primeira pesquisa, preponderantemente teórica, e os exercícios práticos das cenas clássicas de palhaço”.

Henrique ainda frisa que “em tempos pós-modernos, pós-revolucionários, em que a ordem vigente ganha novo fôlego e aparência de mundo acabado, quase eterno e limitado, a memória rota nos faz crer que a riqueza é inocente da pobreza, que a pobreza e a riqueza vêm da eternidade e para a eternidade caminham. O bufão precipita esse mundo para o ‘baixo’ terrestre e corporal, que simultaneamente materializa e eleva, desprende as coisas da seriedade oficial, das sublimações e ilusões inspiradas pelo medo, e, visa fazer com que ele tome um aspecto diferente, mais material, mais próximo do homem, mais compreensível”.

Surge então “O Perrengue da Lona Preta”, um jogo de palhaços/bufões que não tem o menor interesse em que se estabilize o regime existente e o quadro do mundo dominante (impostos pela verdade oficial). “Tentamos assim, captar o mundo em devir, a alegre relatividade de todas as verdades limitadas de classe, o estado de não-acabamento constante do mundo, a fusão permanente da mentira e da verdade, do mal e do bem, das trevas e da claridade, da maldade e da gentileza, da morte e da vida”, conclui Henrique Alonso.

A Trupe Lona Preta já participou de outras edições do Janeiro Brasileiro da Comédia e se inscreveu na versão 2022 através do edital aberto.

O Perrengue da Lona Preta

Ingressos

Os ingressos podem ser retirados gratuitamente no local de apresentação dos espetáculos, com até uma hora de antecedência.

Por Andressa ZAFALON