HB tem aumento de 427% no número de doadores de órgãos viáveis

Dr. João Fernando Pícollo, coordenador da Organização de Procura de Órgãos do HB

O Hospital de Base de Rio Preto se destaca no cenário nacional com relação aos dados relativos à doação de órgãos. De cada 10 famílias, apenas duas se recusam a doar os órgãos do ente que faleceu, número que representa a metade da média nacional.

Em dados percentuais, em 2017, o índice de recusa familiar registrado pela Organização de Procura de Órgãos (OPO) do HB foi de 24, contra 42% do Brasil, segundo relatório da Associação Brasileira de Transplante de Órgão (ABTO), divulgado em março. No ano 2000, essa mesma taxa alcançava os 75% no HB.

Dhoje Interior

Segundo o médico nefrologista e coordenador da OPO, Dr. João Fernando Pícollo, o aumento significativo de doadores de órgãos também se deve ao trabalho multidisciplinar da equipe de profissionais da OPO e que envolve 16 hospitais da região, que possuem equipes de captação de órgãos. “Nós tivemos aqui na nossa região um número de 33 doadores por milhão de população, enquanto que a média no Brasil, hoje, é de 14 doadores por milhão”, ressaltou.

Com isso, a OPO do Hospital de Base está entre as três organizações com melhores resultados no Estado. O número de doadores viáveis (casos em que há a cirurgia para a captação do órgão) passou de 15, em 2009, para 79, no ano passado, representando um crescimento de 427%, sendo que a OPO do HB foi a que teve mais doadores viáveis no Estado.

Com relação aos doadores em potencial (pacientes que já tiveram o diagnóstico de morte encefálica e que aguardam protocolos médicos para a autorização da doação), também foi registrado um aumento de 135%. “Esse aumento a gente sempre tem que agradecer aos doadores, esse ato de generosidade das pessoas e cidadania de pensar no próximo após a morte é fundamental, porque a doação só é possível com o consentimento familiar”, afirmou.

Órgãos

Os três órgãos mais doados, segundo a OPO do HB foram rim, fígado e coração, que em contrapartida também são os órgãos com maiores listas de espera. Segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgão (ABTO), no Brasil, 21.059 pessoas esperam pelo transplante de rim, sendo que no Estado de São Paulo são 10.767 pessoas na fila de espera por esse órgão.

“O órgão que é mais viável para transplante é o rim, pois não sofre tanto igual aos outros órgãos, como fígado, coração, pulmão. Depois que é feita a cirurgia, o rim tem até 36 horas para ser utilizado, diferente do coração e pulmão que são apenas quatro horas”, disse Pícollo.

Também foi registrado um aumento de 470% no total de córneas doadas por ano, comparado entre os anos de 2010 e 2017. No ano de 2010 foram captadas 128 córneas para o transplante, enquanto que em 2017 esse número saltou para 570.

O primeiro critério a ser avaliado pela equipe médica para a escolha do paciente que receberá o órgão é analisar se há lista de prioridade. “Sempre primeiro vai para os priorizados, não tendo nenhum priorizado, o que é uma raridade, então seguimos os critérios de alocação que dependem da compatibilidade, do peso e altura do paciente”, explicou.

Trabalho em equipe

Os números expressivos se devem ao trabalho eficaz da equipe da Organização de Procura de Órgãos (OPO) do Hospital de Base, que ao longo dos últimos oito anos formou e capacitou Comissões Intra-Hospitalares de Transplantes (CIHTs), tanto em Rio Preto como nas outras 15 instituições de saúde da região.

Em uma doação de órgão, cerca de 50 profissionais chegam a ser envolvidos no trabalho. A equipe conta com colaboradores em diversos setores, como: emergência; neurologia; terapia intensiva; serviço social; exames complementares (hemodinâmica, medicina nuclear, laboratório); dentre outros. “Outro fator chave é a formação do coordenador de transplante. São pessoas nos hospitais da região (a gente tenta fazer em todos os hospitais, mas ainda não conseguimos) que conhecem o processo de doação e transplante e estão aptas a conversar com os familiares e ajudar a família no momento da decisão de doação de órgãos”, disse Dr. João Fernando Pícollo, coordenador da OPO.

Por Priscila CARVALHO