Rio-pretenses emprestam contas bancárias para golpe na OLX

Polícia Civil de Rio Preto prende quadrilha de estelionatários em Cuiabá (MT). Foto: Divulgação Polícia Civil

Membro da organização criminosa que aplicava golpes através do site de compra e venda OLX, um ex-militar das Forças Armadas foi identificado pela Polícia Civil como responsável por recrutar rio-pretenses para serem “laranjas” no golpe que era aplicado em todo país.

O homem que estava morando em Rio Preto é de Cuiabá e é vinculado à facção criminosa Comando Vermelho, do Rio de Janeiro. Na quinta-feira (27), policiais civis do 1º Distrito Policial deflagraram a operação intitulada “Camaleão” e prenderam dois bandidos na capital mato-grossense.

Dhoje Interior

A ação contou com o apoio de policiais civis da Derf (Delegacia Especializada de Roubos e Furtos) de Cuiabá. Foram cumpridos 16 mandados, sendo 12 de busca e apreensão e quatro de prisão, expedidos pela 2ª Vara Criminal de Rio Preto. Também foram apreendidos vários aparelhos celulares e chips utilizados nos golpes.

A Polícia Civil identificou pelo menos mais 20 criminosos que participavam do esquema que movimentava cerca de R$ 2 milhões por mês. As investigações presididas pelo delegado Luciano Birolli, agora, prosseguem para prender outros integrantes.

Em Rio Preto, o ex-militar recrutava “laranjas” que “emprestavam” suas contas para que a transação bancárias fossem realizada. Em troca, essas pessoas recebiam 10% do valor depositado em cada golpe.

“Para ganhar um dinheiro, essas pessoas entravam no esquema, mas não tinham ideia de que estavam se metendo com uma organização criminosa perigosa”, disse o delegado Julio Pesquero.

De acordo com a Polícia Civil, a investigação teve início em meados de fevereiro do ano passado. De lá para cá, diariamente eram registradas de 5 a 10 vítimas dos golpistas por dia, só em Rio Preto.

Em entrevista coletiva, na manhã de sexta-feira (28), o delegado  explicou como o golpe é aplicado. Cada membro da quadrilha era responsável por exercer um papel.

Um golpista clonava um anúncio verdadeiro de venda de carro na OLX, divulgando a foto e características do veículo, pedia um valor abaixo do de mercado e alterava o número de contato. Um interessado entrava em contato com o novo número, outro golpista informava o endereço onde estava o veículo e agendava um encontro com o verdadeiro dono para que o possível comprador soubesse que o carro existia.

Mas antes o  vendedor e o interessado eram orientados a não falarem sobre os valores. Após o encontro, o golpista voltava a entrar em contato com o interessado e começava a negociar a venda do veículo, se passando novamente como verdadeiro dono. Fechado o negócio, informava uma conta bancária para receber o dinheiro. O comprador dava o dinheiro e o golpista sumia.

A partir daí, o dinheiro depositado era transferido de uma conta para outra de vários Estados até serem repassados para os cabeças da organização criminosa. A investigação apurou que cada membro lucrava de R$ 300 mil a R$ 400 mil por mês.

A operação Camaleão, de acordo com o delegado é uma ação pioneira. “Acredito que no Estado e no Brasil devido a dificuldade de se investigar casos envolvendo casos pela internet”.

Os dois membros da quadrilha foram encaminhados à unidades prisionais de Mato Grosso. Todos os membros deverão responder por estelionato e associação criminosa.

 

Por Tatiana PIRES – Redação Jornal DHoje Interior