Especialista em segurança digital alerta para cuidados com vazamento de dados

Rodolpho Barbosa, especialista em segurança digital. Foto: Vinicius Lima

Desde a criação do Pix, em novembro de 2020, o Banco Central (BC) registrou três casos de vazamentos de informações, sendo a mais recente neste mês de fevereiro, quando 2.112 chaves Pix de clientes da instituição de pagamentos Logbank foram vazadas. Em declaração, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que os casos registrados até o momento são leves, mas que devem ocorrer com alguma frequência.

“Como nós entendemos que esse mundo de dados vai cada vez crescer mais exponencialmente, os vazamentos vão acontecer com alguma frequência. Não querendo banalizar os vazamentos, porque vamos atacar todos os vazamentos para que eles sejam o mínimo possível”, disse o presidente do BC em evento promovido pelo Esfera Brasil.

Para Rodolpho Barbosa, especialista em segurança digital da Verhaw IT em Rio Preto, empresa que atua na área de segurança e análise de dados, os vazamentos não devem ser normalizados, principalmente com a criação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

“A LGPD trata justamente do vazamento e divulgação de dados de usuários. Então isso não pode ser normalizado. Contudo, a medida que a gente avança na tecnologia e na digitalização das informações, isso vai se tornando um ponto de vulnerabilidade”, comentou.

Ele também explicou que no Brasil ainda não há um cultura de conferir o histórico de segurança digital das empresas e instituições nos quais os dados são confiados. Com isso, as pessoas ficam mais suscetíveis a serem vítimas de golpes quando ocorre um vazamento.

“Existe uma necessidade de conscientização sobre a segurança da informação para as pessoas não caírem em golpes e fraudes. Esses golpes tem uma máscara para fazer parecer real, chamando a pessoa pelo nome completo, falando do número do CPF. Antes desse tipo de golpe, significa que ocorreu um vazamento, pois sem dados minimamente corretos, esse tipo de fraude fica mais difícil de ser aplicado. As instituições precisam fazer o seu dever de casa, reforçar política de segurança para ofertar um ecossistema seguro no ambiente digital”, comentou Rodolpho.

O especialista deu algumas dicas para que as pessoas evitem caírem em fraudes ou sofrer algum tipo de vazamento nesses casos.

“A pessoa precisa duvidar de coisas muito fáceis que aparecem, como dinheiro e promoções fáceis, por exemplo. Lembrar também que os bancos não mandam links e não pedem para digitar senha fora do site ou aplicativo deles. Outro ponto é que usuário precisa criar o duplo fator de autenticação. A maioria dos aplicativos tem isso. Além da senha do cartão, tem a senha do internet banking e às vezes até uma outra senha para concluir a transação”, comentou.

No caso das empresas, os empreendedores devem olhar todos os contratos que possuem e todos os dados que são obtidos para tomar as precauções contra vazamentos. “Na parte de infraestrutura, o empresário precisa olhar onde armazena os dados e se estão livres de acessos fáceis, ou seja, só pessoas autorizadas tem acesso àqueles dados”, comentou Rodolpho.

Por Vinicius LIMA – redação Jornal DHoje Interior