Ensino à Distância se consolida como opção de educação superior

A mestre e doutora em Mídias e Tecnologia, adentrou ao universo do ensino remoto e conheceu de perto todas as dificuldades da modalidade. Mas adverte: o segredo está em dominar bons mecanismos tecnológicos para alinhar o propósito com a absorção de conhecimento

Método que inicialmente causava estranheza hoje é o mais procurado quebrando barreiras de localização e status sociais

O sistema (EaD) – Ensino à Distância –  vem se consolidando como tendência a cada ano na formação de nível superior.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em 2019 mais de 63% (10.395.600) das vagas ofertadas foram nesse formato, entre as 16.425.302 vagas disponíveis para o nível de ensino, no total.

Segundo o Seade, órgão que pontua a densidade e dados sociais e econômicos do Estado de São Paulo, entre 2019 e 2020, os cursos de ensino a distância  cresceram de 482.501 inscritos para 638.233. No igual período, as matrículas de ensino presencial diminuíram de 1.548.848 para 1.436.938 com base nas informações do Ministério da Educação.

Segundo o grau acadêmico, em 2020, o bacharelado apresentou 63,5% das matrículas, a licenciatura esteve com 15,1% e o tecnológico com 21,4%, números semelhantes ao ano anterior.

A plataforma ainda mostra os cursos mais procurados, sendo Pedagogia com 190.482, Direito com 167.031 e Administração com 151.991 matrículas. Os três cursos foram os mais cotados pelas mulheres. Os homens, em sua maioria, se interessam pelos cursos de Sistemas de Informação e a Engenharia.

Ruby Heathcliff sempre quis cursar uma faculdade de Filosofia, mas devido ao fato de sua cidade não possuir tal especialidade decidiu adentrar no ensino remoto. “Dedico uma hora e meia depois do trabalho para estudar. Por ser um curso que gosto vou relevando alguns aborrecimentos como a lentidão do sistema/conexão, ter que correr atrás de conteúdo pois nem tudo está disponível no módulo, mas a liberdade de movimento compensa”, observa.

Renata Sbrogio, mestre e doutora em Mídias e Tecnologia, pesquisa educação a distância desde 2008. Altamente qualificada por ter a educação a distância como objeto de estudo aliado à sua profissão de educadora da área de tecnologia, ela acredita que a modalidade só tende a crescer ainda mais no Brasil.

“Quando a gente trabalha com educação à distância isso significa lidar com tecnologia. Escolhi uma segunda pós-graduação no regime remoto (Tecnologia para Educação à distância) justamente para conhecer bem essa realidade e lidar com as dificuldades desse formato. A educação a distância é pautada na escolha de boas mídias e ferramentas de tecnologia”, analisa.

Renata ainda salienta que no cenário pós ápice da pandemia fez com que ela atuasse mais no suporte aos professores para auxiliar esses educadores no processo de adaptação. “É uma área que eu domino e gosto muito. É fundamental ter conhecimento em boas ferramentas para que elas façam esse intermédio na aprendizagem. Na minha vida isso foi uma constante; primeiro como aluna e hoje como professora”, finaliza.

Daniela MANZANI