DIA DAS MÃES: Intensivista do HB enfrenta a Covid 12h ao dia e volta para casa para cuidar da Luísa, 3 meses

A imagem formada ao longo do tempo de que a mulher é um ser humano frágil ficou no retrovisor da história ainda no século passado. A partir da Segunda Guerra Mundial começaram a trabalhar, conquistaram a independência e ocuparam os espaços que sempre foram delas. A pílula anticoncepcional e as lutas pelos direitos mudaram a paisagem do Planeta em todos os países.
Em Rio Preto as mulheres e mães do século 21 podem ser representadas pela médica intensivista Tamires Adriane Moimaz Pereira, do Hospital de Base. Aos 32 anos, mãe da Luísa, de apenas 3 meses, casada com João Manoel, trabalha em UTI na linha de frente contra a Covid e outras doenças 12 horas ao dia. Trinta dias após o parto ela estava de volta à UTI.
Ela conta um pouco da sua rotina: “O cuidado é intenso. No hospital uso de EPI (Equipamento de Proteção Individual) o tempo todo, banho no término do plantão, higienizo os meus pertences (celular, chaves) e, ao chegar em casa, a roupa já vai ser lavada, vou direto para outro banho e higienizo todos os meus pertences novamente para depois ter contato com meus familiares”.
A médica passou toda a gravidez trabalhando. Hoje ela é mãe da Luísa, 3 meses. Em casa, tem todo o apoio do marido e de familiares. “Para ter forças para continuar depois de tanto tempo de pandemia”, lembra. Ser “mãe intensivista” é algo muito difícil, diz. O maior medo é levar o vírus para dentro de casa e contaminar a família. É se proteger o máximo possível para isso não acontecer”.
Médica há 9 anos, graduada, fez residência em Cirurgia Geral e Terapia Intensiva. Tamires vai passar seu primeiro Dia das Mães com o seu maior presente “nos braços”. Ela conta que a vida mudou muito nos últimos 12 meses. “Vivo minhas maiores alegrias com a minha filha e minhas maiores angústias no hospital”. Lembra da mãe e lamenta que “será mais um ano que passo essa data longe da minha mãe”, que ainda não foi vacinada. Diz que não vai até ela para protegê-la e garantir que a Luísa conviva com a avó. “Afinal”, diz, “ser avó é ser mãe duas vezes”.
Apesar da felicidade pessoal, a médica vive momentos dramáticos. “Vi filhos implorando pela vida de suas mães e nem todos tiveram suas mães de volta. Isso doe muito”, conta. A tecnologia é a única ferramenta que ela diz ter para tentar amenizar essa dor. As chamadas de vídeo entre os familiares amenizam a dor.
“Esse ano o Dia das Mães não será como eu gostaria, com toda a família reunida. Não acho que seja a hora para reunirmos, a pandemia está aí e em um dos piores momentos. Esse ano será somente eu meu esposo e minha filha, torcendo e rezando para a vacina chegar a todos o mais breve possível para que essas reuniões familiares voltem a ser possíveis”, afirma.
A médica trabalha 12h por dia, de segunda a sexta-feira, e faz plantão dois finais de semana no mês. Conta com o companheiro João Manoel, 30 anos, com quem divide as tarefas e as dores.

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