Denúncias caem e ausência de aulas deixa crianças suscetíveis à violência, diz delegada

VIOLÊNCIA - Delegada Dálice Ceron ouviu a mãe da criança, que negou ter envenenado o filho/ Foto: Guilherme Batista

A Delegada da Delegacia de Defesa da Mulher de Rio Preto, Dálice Aparecida Ceron, atribuiu à ausência de aulas o motivo das crianças serem agredidas e essas denúncias não chegarem aos órgãos oficiais.

Os números de agressões às crianças e adolescentes, comparando 2020 com 2019, diminuíram e se mantiveram baixo durante os três primeiros meses de 2021. Mas os números oficiais não condizem com a realidade, afirma a Delegada.

Dhoje Interior

“As escolas denunciam sempre que uma criança ou adolescente chega machucado. As escolas são uma garantia de proteção, porque não têm nenhum vínculo familiar com a vítima ou com o agressor, portanto, a denúncia vem com mais facilidade. Além do que, se uma escola percebe algo diferente e não denuncia, pode dar problema para o órgão. Então, nesse sentido eles ajudam muito”, explica Dálice.

De acordo com os registros da DDM, em 2019 foram 110 vítimas, dando uma média de 9,1 vítimas por mês; em 2020 foram registradas 88 vítimas, chegando à média de 7,3 vítimas por mês. Ainda segundo dados da delegacia, este ano, apenas no primeiro trimestre foram 23 vítimas casos denunciados.

Para Dálice, os pais separados são os que mais denunciam agressões. “O número de denúncias vindas de pais separados é infinitamente maior do que dos pais que convivem, isso porque, quando há um conflito entre os genitores, a tendência é que um queira prejudicar o outro de alguma forma. Em contrapartida, quando esses pais moram juntos, um se torna cúmplice do outro”, comenta.

Quando uma pessoa suspeitar que uma criança ou adolescente esteja sendo vítima de maus-tratos, pode denunciar o caso aos conselhos tutelares, às polícias Civil e Militar, ao Ministério Público e também pelo canal Disque 100.

Por Andressa ZAFALON