Criação de abelhas sem ferrão passa a ser regularizada no Estado de SP

Discos de criação da abelha Jataí. Foto: @abelhaurbana

Uma prática que até pouco tempo atrás não era comum, hoje já é uma realidade para várias pessoas, inclusive com inspirações de pessoas famosas, como é o caso de Ivete Sangalo e o marido Daniel Cady, que é nutricionista e atualmente têm criações de abelhas como hobby.

Com o aumento de pessoas interessadas em criar as abelhas sem ferrão, a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente publicou a Resolução 11/2021 que institui a categoria de fauna silvestre melipolinário e regulamenta a criação de abelhas nativas sem ferrão no Estado de SP.

Dhoje Interior

De acordo com a nova Resolução está permitido que os criadores façam o manejo reprodutivo dos insetos para a formação de novas matrizes, além da comercialização de produtos, como mel e própolis. Também serão permitidas atividades de educação ambiental ou ensino, serviços de polinização, pesquisa científica e conservação da espécie.

O Diego Aranha é proprietário do perfil @abelhaurbana no Instagram e conta como começou esse hobby que está cada vez mais presente na vida dele. “Tudo começou com um resgate que eu e meu pai fizemos de uma abelha Jataí que estava no muro da casa dele. Colocamos ela em uma caixinha e ali começou tudo”, conta.

Com o tempo, Diego foi vendo como se trabalhava com abelhas, estudando e pesquisando na internet e acabou se interessando a ponto de começar a criação. De uma caixinha que ele tinha, hoje já totalizam 40 no meliponário. “Eu faço por hobby mesmo e a produção de mel eu distribuo entre os familiares e amigos mais próximos”, ressalta.

Com a regulamentação da prática, o meliponicultuor, independentemente do número de colmeias que tenha ou que pretenda ter, deverá fazer um cadastro simplificado no Sistema Integrado de Gestão de Fauna Silvestre no site oficial da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente. O cadastro terá validade por 10 anos e deve ser atualizado sempre que uma mudança ocorrer.

É preciso ficar atento porque existem as espécies que são permitidas no Estado de SP. No caso do Diego, ele tem a criação e Jataí, Iraí, Mandaçaia e Mirim Plebeia. “A maioria das abelhas que eu tenho foi por captura, escape ou atrativo”, comenta.

Um dos atrativos mais comuns entre os meliponicultores é a isca pet que é feita com garrafa pet e consiste em envolver a garrafa com papelão para manter a temperatura, além do plástico preto por fora, simulando assim, a parte oca de uma árvore. Dentro passa-se o “atrativo”, mais conhecido como feromônio, que serve para simular o cheiro das abelhas, da colmeia. O “atrativo” é feito retirando a cera e resina que tem no interior das colmeias e dissolvido com álcool de cereais.

O investimento para quem pretende começar a criar abelhas, não é alto. É preciso apenas ter uma caixa de madeira e uma isca já com a abelha capturada. “A maior dificuldade é quando passam veneno, como o da dengue, por exemplo, aí é preciso tampar a caixa e colocar pra dentro. Em época de estiagem também é bom fazer uma alimentação artificial com bombom de pólen que é feito de açúcar e água”, explica Diego.

Quando a criação é feita na cidade, principalmente na época da seca, é necessário ter alguns cuidados extras. O bombom de pólen é uma ótima opção. Ele é colocado dentro do enxame para fortalecer e diminuir o risco das abelhas diminuírem a produção.

“Outra opção que também é adequada fazer em época de estiagem é o alimento energético. É um xarope feito com 50% de água e 50% açúcar dissolvidos dentro de um potinho com alguns gravetinhos para as abelhas não se afogarem” explica Diego.

Bombom de pólen. Foto: @abelhaurbana
Isca pet. Foto: @abelhaurbana
Xarope. Foto: @abelhaurbana

Por Andressa ZAFALON