Consumo de medicamentos aumenta em 198% na pandemia

Um levantamento realizado pela consultoria IQVIA apontou o aumento significativo nas vendas de alguns medicamentos e vitaminas relacionados à Covid-19 nos primeiros meses desse ano, em relação ao mesmo período do ano passado. São eles: ascórbico (vitamina C), que teve um crescimento de 198,23%; o paracetamol, com 83,56% a mais em sua comercialização e a dipirona sódica, com aumento de 51%. O ibuprofeno, que por um breve período foi relacionado ao agravamento de casos da doença, teve uma queda nas vendas de 2,95%.

De acordo com o farmacêutico e delegado regional da seccional do Conselho Regional de Farmácia (CRF) de São José do Rio Preto, Anderson José de Almeida, medicamentos atribuídos à capacidade de curar a Covid-19 também registraram aumento na procura. Foram os casos da hidroxicloroquina e colecalciferol (vitamina D), que tiveram crescimento de vendas de 53,03% e 23,74% respectivamente no estado de São Paulo.

Dhoje Interior

O fato de muitas pessoas estarem comprando e tomando os medicamentos indiscriminadamente acendeu o alerta na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que proibiu na última semana a venda sem receita de medicamentos como cloroquina, hidroxicloroquina, nitazoxanida e ivermectina.

“Existe uma frase famosa que diz que a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. A automedicação é um problema de saúde pública e pode trazer sérios riscos para as pessoas. Existem estudos que afirmam que a hidroxicloroquina pode trazer sérias consequências para o coração. Além disso, com a procura aumentando, as indústrias acabam não conseguindo atender a demanda e acaba faltando remédios para pacientes que realmente necessitam daquele medicamento. Tivemos relatos de que faltaram em algumas farmácias de Rio Preto”, afirmou Anderson.

Ainda segundo o farmacêutico, o problema da automedicação é o desafio antigo para os profissionais de saúde. “Todo medicamento tem um potencial para causa danos se for ingerido de forma incorreta. Historicamente, os antibióticos são os que causam mais problemas, pois o uso indiscriminado acaba estimulando a resistências das bactérias”, explicou.

Atualmente, o município conta com 268 estabelecimentos farmacêuticos, sendo que 50 são farmácias de manipulação. São 1.012 farmacêuticos registados na cidade.

Por Vinicius LIMA – redação Jornal DHoje Interior