Consumo de doces na pandemia aumenta 63%, segundo pesquisa

    A mudança na rotina decorrente da pandemia de coronavírus afetou a alimentação de muitas pessoas, inclusive o consumo de doces aumentou por conta da ansiedade em que vivemos e também pelas pessoas estarem mais em casa. É comum ouvir relatos de quem passou a consumir mais doces praticamente todos os dias.

    De acordo com dados da pesquisa recente ConVid, realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a UFMG e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o consumo de alimentos saudáveis diminuiu durante a pandemia, passando de 37% para 33%. Por outro lado, a ingestão de doces, por exemplo, aumentou. Entre jovens adultos, na faixa de 18 a 29 anos, 63% está consumindo doces ou chocolates duas vezes por semana ou mais.

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    Segundo a nutricionista Laís Gonçalves. de Rio Preto, esse aumento se explica pela forma como os doces agem no organismo. Ricos em glicose, substância que entra rapidamente na corrente sanguínea, o consumo desses alimentos gera rápida absorção e estimula a produção de alguns hormônios, como a serotonina responsável pela regulação do sono e humor.

    “Devido a isso, a pessoa experimenta uma sensação de leveza e desestresse, além dos doces estarem frequentemente associados a memórias e sensação de prazer” explica.

    A arquiteta Maria Inês de Souza, 55 anos, de Rio Preto, diz que desde que passou a trabalhar home office em casa, sempre tem que comer um “doce” de manhã, um a tarde, tanto que sua gaveta da mesa do escritório está cheia de chocolates. “O chocolate acalma então eu não dispenso os meus, se acaba já vou logo repor minha gaveta”, brinca.

    Supervisor da padaria Dionísio Pães e Doces na Boa Vista, Fabiano de Souza diz que é difícil quem não goste de doces, mas notou que as pessoas tem consumido mais.

    Segundo ele, os doces mais procurados pelos clientes são aqueles que preferencialmente tenham chocolate. “As bombas de chocolate, mousses de chocolate, copo de nutella, coxinha de brigadeiro, bolos de brigadeiro e chocolate, são os mais vendidos no momento”, afirma.

    A dona de casa Alzira da Silva, 63 anos, foi até a padaria pra comprar pães, mas não dispensa o docinho da tarde. “Sempre levo um bombom ou um mousse pra comer de sobremesa no café da tarde”, conta.

    Aleska Sandrin da Silva tem uma doceria na Santa Cruz em Rio Preto e afirma que o que ela tem mais vendido são pães de mel, brigadeiros e bolos em fatia.

     

    Maria Inês tem uma gaveta cheia de doces na mesa do escritório em seu home office – Foto Arquivo Pessoal

     

    Alzira da Silva foi na padaria buscar pães mas não deixou de levar um doce – Foto Janaina PEREIRA

    Janaína PEREIRA – Redação Jornal DHoje Interior