Consumo de bebidas alcoólicas aumenta 18% durante a pandemia

Venda das bebidas alcoólicas geladas será proibida aos finais de semanas e restrita nos dias uteis Foto: Claudio LAHOS

Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead) revelou que o consumo de bebidas alcoólicas aumentou em 18% durante a pandemia. A faixa etária com o maior crescimento foi de 30 a 39 anos, com um aumento de 25% de consumo.

Ainda de acordo com a pesquisa, 24,4% das pessoas relataram aumento do consumo de bebida alcoólica sempre que se sentiram tristes ou deprimidas. “Existe um pensamento cognitivo que opera por meio emocional. Não é efetivo. Se a pessoa não compreender essa lógica, vai se entregar a mecanismos de fuga, como o hábito de recorrer ao álcool, todos os dias. É uma autossabotagem. Uma procrastinação. Há pessoas mais despreparadas para a realidade do que imaginamos haver. E este preparo só virá se houver uma mudança na forma de pensar, do emocional para o estratégico” explicou o psicólogo Marcus Vinicius Gabriel.

Dhoje Interior

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 70% da população já consumiu bebidas alcoólicas, sendo que os brasileiros, em média, começam aos 11 anos de idade. O hábito pode acabar levando ao alcoolismo. “O indivíduo recorre ao álcool para suprir alguma carência ou vazio. E torna-se um ciclo vicioso, permanente. Um dispositivo para aliviar tensões, com a falsa ilusão de que esteja obtendo prazer. Uma válvula de escape para camuflar conflitos e tensões. O alcoolismo atua como um mascaramento da realidade. E, se torna outra. Qualquer uso de substância psicoativa está vinculada à fragilidade e dificuldade do sujeito em lidar com a realidade. Um subterfúgio. A mente é a estrutura funcional humana que fica mais exposta ao álcool. Com o tempo, o sujeito perderá sua identidade e sua noção de mundo”, comentou Gabriel.

De acordo com o psicólogo, é necessário criar novos hábitos e atitudes para se libertar do vicio. “É preciso ter a humildade de reconhecer a sua fragilidade. Buscar auxílio psicoterapêutico ou psicossocial. Mudar a rota. Substituir por outros comportamentos, partindo da mentalidade empreendedora e não alienadora de vida. Andar em linha reta e não em círculos. E, sobretudo, acreditar em si mesmo. Sem isso, nada ocorrerá”, afirmou.

Por Vinicius LIMA – redação Jornal DHoje Interior