Conexão Capivara: Tão perto e tão longe

Não era blefe, afinal: a Uniesp, do grupo Universidade Brasil, deu o lance de R$ 30 milhões pela compra do Nossa Senhora da Paz, hospital localizado na avenida Anísio Haddad, ao lado do Riopreto Shopping e que fechou suas portas definitivamente em 2002. São 12 mil metros quadrados em uma das áreas mais nobres de Rio Preto e o valor do leilão realizado pela Justiça do Trabalho seria para pagar dívidas trabalhistas estimadas em R$ 15 milhões, decorrentes da falência do hospital. São cerca de 190 ex-funcionários que aguardam desde então receber pelos seus direitos trabalhistas.

Poderia ser o fim de uma agonia que dura 16 anos, mas nada está definido ainda. O prédio abandonado do Nossa Senhora da Paz foi avaliado em R$ 39 milhões, mas o lance mínimo era de R$ 30 milhões – valor ofertado pelo presidente da Uniesp, Fernando Costa. A proposta é de um pagamento à vista de R$ 3 milhões e o resto parcelado em 120 vezes. Bem diferente do que exigia a Justiça do Trabalho, que exigia à vista R$ 9 milhões e parcelamento em até 21 vezes. Outras propostas poderão ser apresentadas até a próxima quinta-feira (24). Caso não apareça mais nenhuma, a Justiça do Trabalho é que deve decidir se aceita o lance e as condições apresentadas pela Uniesp.

Dhoje Interior

Especula-se que o objetivo seja transformar o local em um hospital-escola para atender o curso de medicina que o grupo Universidade Brasil mantém no campus de Fernandópolis. As condições de pagamento fora do que previa o edital não é o único empecilho envolvendo a oferta feita pelo grupo capitaneado por Fernando Costa. Recentemente, a Uniesp se envolveu em uma polêmica nacional por conta de uma maneira agressiva de tentar atrair alunos para suas instituições, o programa chamado Uniesp Paga. Por meio dessa proposta, a universidade se propunha a pagar quase que na totalidade as dívidas de financiamento estudantil – o Fies. Ocorre que muitos alunos descobriram, após terminar seu curso, que estavam em débito com o Fies e que as parcelas prometidas não haviam sido pagas. O programa, que ainda é mantido pela Uniesp, gerou uma enxurrada de ações judiciais e foi alvo de investigação da Polícia Federal e do Ministério Público em São Paulo. Ainda assim, é uma das maiores instituições de ensino do País, com 60 cursos distribuídos por dez Estados do País.

Se todo esse imbróglio envolvendo a Uniesp pode dificultar o acerto com o Nossa Senhora da Paz, só a Justiça do Trabalho é que poderá dizer. O futuro do hospital está muito perto e tão longe de ter um desfecho.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta terça-feira (22)