Conexão Capivara: Mais encrenca para o Ielar

Hospital Ielar fechou as portas em 2017

À espera de uma decisão da Justiça do Trabalho que, em caso positivo, poderá viabilizar sua reabertura, o Hospital Ielar, fechado em março de 2017 atolado em dívidas de toda ordem, vira protagonista de mais uma encrenca que exige solução urgente.

O Ministério Público de Rio Preto entrou com ação judicial nesta terça (3), com pedido de liminar, para que ex-pacientes consigam cópias de prontuários médicos, documentos fundamentais em muitos casos para agilizar a continuidade do tratamento de saúde em outras unidades hospitalares.

O promotor Sérgio Clementino acionou o Instituto Espírita Nosso Lar, responsável pelo que sobrou do hospital. Ricardo Fasanelli, presidente da entidade, também é alvo da ação. Ele está sendo questionado por omissão.

“O hospital fechou, mas o instituto continua funcionando e o presidente é responsável por tudo aquilo”, justifica o promotor. A decisão está nas mãos do juiz Marcelo Sabbag, da 6ª Vara Cível de Rio Preto, que pode dar a liminar direto ou solicitar informações dos dois lados antes do despacho.

Segundo Clementino, que vem sendo procurado pelos ex-pacientes que dão com a cara na porta do Ielar, já foram feitas nos últimos seis meses inúmeras abordagens e tentativas de solução, mas os acordos não são cumpridos.

O advogado do Ielar, Eder Fasanelli, admite o problema, mas diz que não tem como atender a demanda nem mesmo com ordem judicial. Segundo ele, são milhares de documentos digitalizados e também físicos que exigem funcionários para serem localizados.

“O hospital está sucateado e abandonado. Eu trabalho voluntariamente, não tenho um único funcionário para atender a estas solicitações. Recentemente, chegaram a invadir o prédio e acabamos conseguindo uma pessoa para ficar no local e impedir que entrem lá. É o que tem. Não posso fazer mais nada”, afirmou

O advogado diz ter certeza que a Justiça concederá a liminar ao pedido do promotor. E que, quando isso ocorrer, entregará a chave do prédio a quem se interessar. “Vão nos multar e não vamos pagar a multa, porque nossa prioridade é pagar o acerto dos funcionários”, concluiu.

A dívida trabalhista do Ielar está, hoje, na casa dos R$ 10 milhões, segundo Fasanelli. A entidade está na segunda tentativa de vender o prédio do hospital para acertar as pendências.

A primeira, que não vingou, foi com a Universidade Brasil, de Fernandópolis. Foi feita mais recentemente uma proposta à Justiça do Trabalho, que conta com aprovação da maioria dos ex-funcionários. Os novos interessados são médicos que integram a Assosin, grupo que presta atendimento privado no modelo pague e use, uma nova alternativa no mercado aos preços dos convênios tradicionais.

Eis uma questão em que todos os lados têm argumentos fortes. O que não falta é torcida para que o hospital se viabilize novamente. Mas esse processo vem se revelando longo demais e tem grande possibilidade de não se concretizar. Enquanto isso, pessoas doentes, que precisam de seus históricos médicos, correm contra o tempo em busca de cura.

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