Conexão Capivara deste domingo(10)

Abraço da capivara

Bolçone: movido a água e café

O deputado Orlando Bolçone (PSB) debutou tardiamente na vida política. Apesar de ter atuado mais de duas décadas como secretário de Planejamento em Rio Preto. Seu primeiro cargo eletivo foi na Assembleia Legislativa em 2011, aos 62 anos de idade. Na entrevista abaixo, ele deu ideias sobre a polêmica favela da Vila Itália, falou da dobradinha com Valdomiro para 2018 e comentou seu relacionamento com o Edinho Araújo.

Conexão Capivara – O vereador José Carlos Marinho é do PSB, mas disse que não vai apoiar candidatos do partido no ano que vem. Ele diz ter sido preterido na disputa municipal pelo senhor e pelo ex-prefeito Valdomiro Lopes (PSB). Tanta mágoa se justificava?
Orlando Bolçone – O vereador Marinho sempre teve nosso apoio. Ele cumpre um papel muito importante na Câmara, representando o PSB. Vamos continuar juntos.

Conexão – Uma dobrada do senhor com Valdomiro Lopes seria exclusiva na região? Mesmo se o deputado federal Rodrigo Garcia (DEM), que também é próximo do senhor, partir mesmo para a reeleição?
Bolçone – Sou candidato a deputado estadual e o ex-prefeito Valdomiro Lopes, candidato a deputado federal. O secretário Rodrigo é um amigo e líder político importante, além de sempre ter sido um aliado. Tenho certeza que Rodrigo assumirá responsabilidades maiores.

Conexão – A duplicação ou terceira faixa da Washington Luís entre Rio Preto e Mirassol não é uma causa com potencial para unir deputados de diferentes partidos da região? Por que isso não acontece?
Bolçone – Temos uma relação boa, muito cordial, próxima. Divergências políticas ficam restritas ao campo das ideias e são circunstanciais. Acima de tudo, sou deputado e represento Rio Preto. Defendo os projetos e debato os temas que são importantes para a cidade, sem problema algum em dialogar com a administração do prefeito Edinho.

Conexão – O senhor já foi secretário de Planejamento de três prefeitos diferentes – Manoel Antunes, Edinho Araújo e Valdomiro Lopes. Em 2008, foi adversário nas urnas contra Valdomiro com o apoio de Edinho. Perdeu as eleições, virou secretário municipal e se filiou ao partido dele. No ano passado a situação se inverteu. Isso não é falta de coerência política?
Bolçone – Sou totalmente coerente. Meu currículo é técnico, não é político. Em 2000, eu estava no PPS e o nosso candidato era o professor Manoel Antunes, só que ele se filiou ao PFL. E nós caminhamos com o Edinho, que estava apenas com 2% de intenção de voto. Em 2008, no jogo de dois turnos, foi uma decisão exatamente para unir, e não dividir. Tive uma posição claríssima (a favor de Valdomiro). E sem exigir nada em troca. Nunca coloquei nenhuma pessoa em nenhum governo em que eu participei, nem um Anjo da Guarda. Meu conceito é de serviço, então é totalmente coerente.
Conexão – Um dos principais problemas da atual gestão são as favelas do Vila Itália e do Brejo Alegre, herdadas da administração Valdomiro Lopes. O que fazer para sanar essa questão?
Bolçone – Em 1983, nós tínhamos mais de 20 favelas e iniciamos o programa Nossa Terra com o prefeito Manoel Antunes. Conseguimos criar loteamentos populares sem recursos do BNH e nem existia a CDHU. De forma inovadora, criamos o maior programa de loteamento popular do Brasil – Solo Sagrado, Cristo Rei, João Paulo 2º. Sobre a favela da Vila Itália, o primeiro a se fazer é uma seleção rigorosa de quem está no local. Há famílias que precisam e outras que construíram só para garantir o espaço e tirar vantagem depois. Quem precisa mesmo são de 100 a 120 famílias. Depois de escolher o local, faz a desapropriação se for necessário. Os 120 lotes equivalem a dois alqueires. Depois disso, faria a ocupação na mesma metodologia que usamos no passado, a de lote urbanizado. A pessoa tem de adquirir o lote, pagar seus custos e ir construindo. Isso desestimula quem vai para o local em busca de especular. Mas 60% das pessoas que estão no Vila Itália são fruto da crise pela qual nós estamos passando.

Conexão – O nome do senhor foi dado ao Parque Tecnológico (Partec). Mas o promotor Sérgio Clementino acionou a Procuradoria-Geral de Justiça para que fossem suspensas todas as homenagens a pessoas vivas. O que o senhor acha disso? A homenagem virou constrangimento?
Bolçone – Não vejo problema algum. Se tiver que retirar o nome por uma exigência legal, não há problema. Sempre estendi a homenagem aos funcionários da Secretaria Municipal de Planejamento. O importante não é o nome, é o avanço que o Parque Tecnológico trouxe para Rio Preto.

Conexão – O que o deputado está tomando que anda tão “ativo” ultimamente?
Bolçone – Meus queridos amigos, eu só bebo água e café. Eu gosto de trabalhar, o que faço desde os 11 anos.

Análise

Só alegria –Ignore o holerite dos sonhos de qualquer assalariado, o carro oficial com motorista, uma dezena de assessores bem remunerados, auxílio moradia, cobertura de gastos com alimentação, viagens, combustível, entre outros benefícios.
Ainda assim, os 94 deputados estaduais estão numa choradeira danada no pé do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Há algum tempo as emendas parlamentares começaram a sair a conta-gotas.
As emendas individuais compõem uma espécie de cota de recursos por parlamentar para que ele possa fazer um agrado junto a sua base eleitoral. Normalmente, o político fatia o montante, destinando R$ 30 mil para uma entidade aqui, R$ 50 mil para um hospital ali, e assim por diante. Esta cota por deputado é fruto de um acordo entre o governo estadual e a Assembleia Legislativa firmado no biênio em que a Casa foi presidida pelo rio-pretense Rodrigo Garcia (DEM), entre 2005 e 2007.
Acontece que a declarada crise nos cofres públicos tem levado Alckmin a “furar” o acordado e a contingenciar essas emendas.
A petista Beth Sahão, por exemplo, diz que neste ano foram liberados apenas R$ 300 mil de suas destinações, todas anteriores a 2014. Mas não tem sido diferente com parlamentares de situação, como Orlando Bolçone (PSB) ou Vaz de Lima (PSDB), também na fila de espera.
O problema é que está aberta novamente a temporada de peregrinação pelo Estado atrás de voto e é de uma “deselegância” imperdoável ser recebido pelos anfitriões de mãos vazias.
Na última semana, precisando muito agradar os aliados diante da ofensiva de João Doria (PSDB) em seu projeto de poder maior – e também tendo de mostrar serviço ainda que por meio dos oposicionistas – Alckmin prometeu abrir a torneira das emendas. Sinalizou a liberação, a partir da semana que se inicia, de cerca de R$ 1 milhão para cada deputado em emendas referentes a 2015.
Ou seja, se ele cumprir a promessa, preparem o foguetório, porque vai ser grande a circulação pela região.
As entidades agradecem. Mas não deixa de ser um tipo de relação desconfortável em que o Parlamento, que deveria fiscalizar o Executivo, é obrigado a ficar de pires na mão atrás de cotas pré-acordadas.

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