Conexão Capivara: Apertem os cintos

Os deputados federais e estaduais da região que buscarão a reeleição em 2018 terão de se segurar, tadinhos. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou na segunda-feira (18) 10 resoluções para as eleições do próximo ano. Entre os pontos abordados, está confirmada a proibição de doação de pessoas jurídicas, o início da propaganda eleitoral em 16 de agosto e a promessa de punição às chamadas fake news – ou notícias mentirosas na rede social.

O TSE também definiu os limites de gastos com campanha. Metade dos parlamentares da região gastou em 2014 acima do teto estabelecido agora para 2018. De acordo com a resolução do Tribunal, os candidatos a deputado federal poderão gastar, no máximo, R$ 2,5 milhões na campanha. Já para deputado estadual é, digamos, mais modesto: R$ 1 milhão.

Dhoje Interior

Dos três deputados federais que representam a região em Brasília, apenas Rodrigo Garcia extrapolou o teto: sua campanha em 2014 custou R$ 2,8 milhões. Fausto Pinato (R$ 143 mil) e Sinval Malheiros (R$ 399 mil) ficaram bem distantes do teto previsto para 2018.

Já na disputa para estadual, tem parlamentar que vai suar pra fazer campanha. Gastaram acima de R$ 1 milhão os deputados Vaz de Lima (1,9 milhão), Marco Vinholi (R$ 1,4 milhão), Itamar Borges (R$ 1,2 milhão) e João Paulo Rillo (R$ 1 milhão). Já Beth Sahão (R$ 869 mil), Carlão Pignatari (R$ 763 mil) e Orlando Bolçone (R$ 326 mil) escaparam da linha de corte.

Os tetos nas campanhas eleitorais são bem-vindos. Ainda que o limite por si só não deixe a disputa mais igual – não é todo candidato a deputado que conseguirá amealhar R$ 1 milhão em 2018 -, torna a eleição menos desigual.

É bom lembrar que, destes milhões aplicados nas campanhas dos deputados da região, parte deles veio de empresas que, obviamente, apostaram suas fichas mais por interesses inconfessáveis que por simpatia ideológica. Algumas destas empresas, inclusive, implicadas na Operação Lava-Jato. As campanhas políticas no Brasil estavam se assemelhando ao bilionário mercado do futebol com gastos irreais e injustificáveis. Um freio nessa gastança é bom – ainda que os valores estejam inflacionados demais.

Mas os deputados da região não precisam ficar preocupados em apertar os cintos para 2018. Afinal, em um País onde 52 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza, cortar R$ 100 mil daqui e outros R$ 100 mil dali não deve fazer falta nas urnas. Né?

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