Conexão Capivara: A irrelevância do blocão

O autoproclamado blocão, ou B5, formado pelos vereadores José Carlos Marinho (PSB), Celso Peixão (PSB), Anderson Branco (PR), Francisco Júnior (DEM) e Zé da Academia (DEM) começa a descobrir que ainda precisa comer muito arroz e feijão para dar as cartas no jogo político de, digamos, “alta performance”. Ainda ontem, dia 25, eles tentavam entender o real papel que protagonizaram no processo de desmonte da primeira CPI da Emurb, que rolou na segunda, dia 22. Desconfiam que, enquanto o grupo ficou só com o desgaste público, tem gente que saiu no lucro.

A dor da irrelevância calou ainda mais fundo quando o petista Marco Rillo (PT) conseguiu emplacar a investigação, com a ajuda de vereadores aliados ao governo, como Renato Pupo (PSD), Pedro Roberto (PRP), Jorge Menezes (PTB), Jean Charles (MDB) e Márcia Caldas (PPS).

Dhoje Interior

Daí que decidiram agir de forma mais “estratégica”, segundo explicou um deles à coluna, tendo em vista duas frentes. Uma é “vigiar” de perto os passos de Fábio Marcondes (PR) e Paulo Pauléra (PP). Acreditam que os dois pretendem negociar sozinhos com o prefeito a fatura da lealdade demonstrada quando deixaram a primeira CPI morrer. E o respaldo necessário agora, quando os aliados de palanque viabilizaram o que Edinho menos queria na Câmara.

Daquele jeito meio comédia pastelão, o quinteto está levando a sério esse propósito. Na quarta, dia 24, por exemplo, Marcondes e Pauléra tentaram um papo reto com Edinho, intermediado por Jair Moretti. Quando os três chegaram ao gabinete foram surpreendidos pelos cinco, que já tinham captado a informação e estavam lá para participar da conversa também. E assim, Marcondes entrou mudo e saiu calado.

A outra “estratégia” do blocão, esta idealizada por Marinho, é jogar areia na credibilidade da CPI, dizendo que o grupo foi formado apenas para aliviar a barra da administração, porque a maioria dos integrantes faz parte do governo, inclusive com correligionários ocupando secretarias. “É marmelada. Estão montando uma CPI de fachada”, acusa.
Argumento difícil de emplacar por vários motivos. Primeiro pelo fato de a acusação vir de alguém que representa um grupo que, se quisesse investigar de verdade, teve toda a oportunidade do mundo de fazê-lo, mas não fez. Segundo pelo perfil dos vereadores ligados à formação da CPI. Eles podem até pesar menos na mão do que pesaram com Valdomiro Lopes (PSB) nas CPIs do Lixo e do Auxílio Atleta. Mas os dois exemplos são prova de que sabem fazer a coisa virar quando querem. Está no DNA político deles.

Portanto, num cenário assim, Edinho jamais colocaria sua “estabilidade” na Câmara nas mãos do B5. Estes vão continuar ganhando suas tendas para as festinhas nos bairros, e outras coisinhas mais, em troca de votos. Mas, sobre política de gente grande, ele vai tratar com outros nomes, como a dupla Marcondes e Pauléra, ou os “aliados” que o colocaram nessa fria, mas que não deixaram, por enquanto, de ser governo.

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