Coluna Astronomia: Tupi e Guarani, uma estrela e um planeta para chamarmos de nossos

O dia 17 de dezembro de 2019 entrou para a história da astronomia brasileira, pois em Paris a IAU(International Astronomical Union) homologou pela primeira vez na história uma estrela e um planeta com nomes escolhidos por brasileiros. O planeta gigante gasoso HD 23079b passou a ser chamado Guarani, enquanto a estrela que ele circunda agora é conhecida como Tupi. A IAU completa 100 anos agora em 2019, e assim promoveu a campanha NameExoWorlds (Nomeie planetas exteriores) que agitou a comunidade astronômica mundial para escolha de novos nomes para os corpos celestes, além do Brasil também participaram mais de 110 países.
Como a ONU escolheu 2019 como o Ano Internacional das Línguas indígenas, vários países como Brasil e Argentina resolveram incluir entre os nomes a serem votados, as línguas indígenas de seus países. Até agora foram descobertos mais de 4 mil planetas no entorno de suas estrelas, e esse número mais que dobra a cada 30 meses. A campanha NameExoWorlds foi aberta entre junho e setembro de 2019, e os nomes Tupi e Guarani venceram na escolha entre outros 12 nomes participantes.

A estrela Tupi está localizada na constelação Reticulum (Rede ou Retículo), e como tem magnitude aparente de 7,11, não é visível a olho nu mas pode ser facilmente descoberta usando-se um pequeno telescópio. Está localizada à 109 anos-luz da Terra e seu único planeta conhecido Guarani foi descoberto em 2001 pelo astrônomo C. G. Tinney.
Tupi é uma estrela de classe F, que é um pouco maior e mais massiva que o Sol, e sua fotosfera brilha com 1,37 vezes a luminosidade e sua idade aproximada é de 4,1 bilhões de anos, bem aproximada à idade do Sol. Já o planeta Guarani tem 2,45 vezes a massa de Júpiter e sua órbita demora 731 anos para dar uma volta completa em Tupi. Quem sabe um dia quando tivermos à nossa disposição a viagem em dobra espacial, possamos dar uma voltinha e conhecer esses novo brasileiros? Não custa sonhar!!

Dhoje Interior

A Estrela Betelgeuse vai explodir?
A gigante vermelha mais famosa do céu noturno teve redução repentina de seu brilho? Ela pode explodir e deixar Órion sem seu “ombro”? Segundo a equipe do ATel em seu tweet do dia 7 de dezembro de 2019, sim!! Por ser uma estrela perto de seu inevitável fim, muitos observatórios e astrônomos amadores tem monitorado diariamente suas variações de brilho, pois com uma redução drástica e encolhimento, poderíamos presenciar o surgimento de uma supernova…a explosão catastrófica de uma estrela!
Com a grande repercussão do assunto, a equipe do ATel desmentiu a divulgação alegando que foi um erro na base de dados, o que causou grande estranhamento na comunidade científica. Por enquanto continuamos atentos e vamos acompanhar isso para ver se não passa mesmo de um erro.

Meteoro vai colidir com a Terra no Natal?
Como é de praxe na comunidade conspiracionista mundial, resolveram apontar mais um meteoro que estaria se dirigindo para a nosso planeta no período do natal. Trata-se do meteoro 310442 que possui o diâmetro de 600 metros e viaja à velocidade de 44.246 km/h, vai passar “próximo” da Terra, apenas 2 milhões de quilômetros. Só a nível de comparação, a Lua fica a 348 mil quilômetros de nosso planeta, portanto não devemos ficar preocupados com o fim do mundo como presente de Natal atrasado.

Deixo aqui meus votos de feliz natal e um próspero ano novo a todos leitores do DHOJE interior que curtem e acompanham nossa coluna, e céus limpos para apresentar as estrelas para a criançada e toda família!

Por – Wagner Soeiro é escritor, palestrante e professor especialista em ensino de Geografia e Astronomia
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