Cerca de 40 cães são apreendidos em situação de maus-tratos

Em um mês ativo o call center para fazer denúncias de maus tratos já recebeu 164 denúncias Foto_Guilherme BATISTA

A Vigilância Ambiental de Rio Preto cumpriu uma ação judicial para avaliação ambiental em uma residência no Jardim Ouro Verde, na manhã desta terça-feira. No local foram encontrados entre 35 e 40 cachorros, de várias raças, incluindo pitbull, em situação de maus tratos. A ação foi realizada em conjunto com a Dibea (Diretoria do Bem Estar Animal), Polícia Militar Ambiental e contou com o apoio da GCM (Guarda Civil Municipal).

A maioria dos animais estava amarrada em cordas de 1,5 metro, a água disponível era escassa e suja. No momento em que as autoridades chegaram à casa, não havia comida para os cachorros. Alguns ainda apresentavam lesões na pele e, possivelmente, doença do carrapato.

Dhoje Interior

Os animais estão sendo levados para o Centro de Zoonoses, onde passarão por avaliação clínica e exames para verificar o estado de saúde. Posteriormente eles serão encaminhados para o Hospital Veterinário da Unirp, que ficará responsável pela realização do tratamento. Ao serem reabilitados, os animais serão disponibilizados para doação.
O proprietário da casa e dos animais, Edson Roberto Vendramin nega que os cachorros sofram maus-tratos. “Na minha cabeça não tem maus-tratos, mas eles que são da lei que vão dizer. O que que eu posso fazer?”, questiona Edson, que, em seguida, admite que os animais são usados para caça ilegal. “Eu tenho esses animais desde a infância, eu cuido deles.

Levo para caçar porcos. Como o porco, dou para os irmãos, vizinhos. Eu gosto de caçar desde criança”, conta.
Questionado pelo DHoje sobre o porquê dos animais estarem amarrados, Edson alegou que eles brigam, por isso os deixa amarrados: “mas tem comida, olha ali quanto saco de ração”, se referindo a uns cinco sacos grandes e vazios.

Biólogo da Vigilância Ambiental, César Leandro Jerônimo informou que o pedido à Justiça, que culminou na ordem judicial, ocorreu em razão de suspeita e várias denúncias de que o local era insalubre: “Viemos avaliar a situação ambiental porque ele não deixa entrar agentes de saúde e, como foi constatado, o local é propício ao surgimento do mosquito palha, que transmite a Leishmaniose, e mosquito da dengue. Ao constatar maus-tratos aos animais, os órgãos competentes foram acionados”.

A Vigilância Ambiental orientou Edson em relação à limpeza que deve ser feita no imóvel. “Há fezes espalhadas, tem uma fossa aberta com dejetos. Além da recolha dos animais passamos todas as orientações de manejo ambiental necessário”, explicou o biólogo César.
Edson foi preso em flagrante e será encaminhado para a Central de Flagrantes, onde prestará depoimento ao delegado de plantão. Ele deverá responder por crime ambiental, previsto na Lei nº 9.605/98, que prevê pena de reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda. Como medida administrativa, a Polícia Ambiental também aplicará autuação no valor de R$ 3 mil por animal.

Tatiana PIRES – Redação Jornal DHoje Interior
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