Ceratocone afeta 150 mil brasileiros por ano, segundo oftalmologistas

Foto: Oftalmologista Daniel Fernando Godoy

O Dia Mundial do Ceratocone, celebrado nesta terça-feira (10), tem como objetivo principal conscientizar e informar a população sobre a doença ocular que atinge uma a cada 2.000 pessoas. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia pretende chamar a atenção para o perigo de esfregar ou coçar os olhos, alertando que a desinformação pode prejudicar mais do que a doença, que afeta cerca de 150 mil brasileiros por ano.

O oftalmologista Daniel Fernando de Godoy, do Hospital de Olhos Redentora em Rio Preto, explicou o motivo de coça excessivamente os olhos pode ser um dos fatores de riscos da doença. “A pressão que o dedo faz nos olhos muda a estrutura da córnea, deixando-a mais elástica e favorecendo a mudança de sua curvatura. Além disso, o surgimento do ceratocone também está relacionado a histórico familiar, predisposição genética, alergia ocular, além de algumas desordens sistêmicas, como Síndrome de Down”, afirmou.

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Em 2019, o hospital diagnosticou 332 pacientes com alguma doença relacionada à córnea, incluindo a ceratocone. Em média, são cerca de 27 pacientes diagnosticados por mês.

“O ceratocone é um distúrbio que afeta o formato e espessura da córnea, camada fina e transparente que recobre toda a frente do globo ocular, deixando-a ainda mais fina e na forma de cone. Essa alteração provoca visão embaçada e a percepção de imagens distorcidas tanto para longe quanto para perto, o que favorece o surgimento de astigmatismo irregular”, explicou Godoy.

De acordo com oftalmologista Murilo Bertazzo Peres, o tratamento se divide em duas partes: impedir a progressão da doença e permitir a reabilitação visual. “Se através dos exames oftalmológicos e de imagem (topografia) o ceratocone estiver progredindo, pode-se fazer o Crosslinking Corneano para estabilizar a doença. A reabilitação visual depende do grau de severidade da doença. Nos casos mais leves, óculos e lentes de contato rígidas podem ser suficientes. Entretanto, em casos mais avançados, pode ser necessário tratamento cirúrgico”, comentou.

O recomendado é manter uma rotina de consultas, pelo menos uma vez ao ano. “Pacientes com alergia ocular recorrente, historia familiar de ceratocone, embaçamento visual que não melhora com óculos, aumento progressivo do grau, principalmente do astigmatismo, devem procurar seu oftalmologista para realizar exames preventivos”, finalizou Peres.

Por Vinicius LIMA – redação Jornal DHoje Interior