Apeoesp chama de “insanidade” o retorno às aulas presenciais e mantém greve no Estado de SP

A novela da volta às aulas ganha mais um capítulo nesta quarta-feira (10). A Apeoesp realizou uma assembleia popular virtual contra a volta às aulas presenciais no Estado de São Paulo.

Além dos professores, várias entidades públicas decretaram o apoio à greve, dentre elas Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Fórum Estadual de Educação, Federação dos Trabalhadores em Educação do Estado de São Paulo, Central Única dos Trabalhadores, Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras, Intersindical – Central da Classe Trabalhadora, Sindicato dos Funcionários e Servidores da Educação de São Paulo, Sindicato dos Supervisores de Ensino do Magistério Oficial no Estado de São Paulo, União dos Estudantes Secundaristas de Piracicaba e, claro, a própria Apeoespe.

Dhoje Interior

Em nota, todas essas entidades manifestaram o apoio. “Nós, representantes das entidades citadas acima, vimos a público manifestar irrestrito apoio aos professores da rede estadual de ensino de São Paulo, que continuam em greve sanitária em defesa da vida, contra a insanidade da volta às aulas presenciais em meio a uma pandemia que já matou mais de 233 mil brasileiros e brasileiras”, diz a nota.

De acordo com informações da Apeoesp, o percentual de comparecimento de estudantes se mantém em torno de 5%, quando o governo queria algo entre 35% e 70%. O Sindicato já registrou em 123 escolas, 243 casos de Covid-19 nos últimos dias. As subsedes da APEOESP e os professores estão exigindo que todas essas unidades sejam fechadas e entrem em trabalho remoto imediatamente. Estão, inclusive, recorrendo ao Ministério Público para que isso ocorra.

Ainda de acordo com o sindicato, a média de funcionários para a limpeza é entre 1 e 2 por escola, o que seria insuficiente para manter a limpeza geral de três em três horas, como define o protocolo de segurança sanitária.

“Em muitas escolas falta papel higiênico. O álcool em gel disponibilizado pelo governo venceu em janeiro. De acordo com estudo encomendado pela APEOESP ao Instituto dos Arquitetos do Brasil – Seção São Paulo e DIEESE, 82% das escolas estaduais não possuem mais que dois banheiros para os estudantes. Há mais de mil salas de aula totalmente inadequadas no estado”, afirma a nota assinada pela Professora Bebel, presidente da entidade.

A Apeoesp esclarece que haverá fiscalização e denúncias das reais condições estruturais das escolas e em cada região serão constituídos comitês de vigilância por grupos de escolas com a participação de todos os segmentos com essa finalidade. “Vamos mostrar a toda a sociedade a manipulação irresponsável que embasa a insana decisão de retorno às aulas presenciais neste grave momento”.

E finaliza, “Os professores e demais profissionais da educação estão do lado justo e correto. A população entende e apoia a sua luta pela vida, que é uma luta de todos e todas. Por isso, pais e mães não mandam seus filhos às escolas”.

Por Andressa ZAFALON