Acirp critica lockdown; empresário fecha bar um mês após abrir

Toiço Espeto Bar

O proprietário do ‘Toiço Bar’, que fica na Avenida Constituição, conversou com o DHoje sobre a situação de lockdown que afeta, principalmente, os bares e restaurantes. Franchescolli Capelett tem 28 anos e abriu o estabelecimento no dia 8 de maio e com um mês e nove dias se viu obrigado a fechar as portas.

“Não vou abrir o bar durante a vigência do lockdown porque o chamativo é justamente o que eles proibiram: o presencial. É difícil adaptar o famoso boteco no delivery”, explica.

Dhoje Interior

Fran tem 12 funcionários fixos e mais cinco que trabalhavam como freelancers aos finais de semana. “Três dos meus funcionários eu vou ter que pagar mesmo sem estar aberto, outros eu disponibilizei a cozinha do bar para fazerem bolos de pote e salgados, para poderem ter renda”, comenta.

A intenção é reabrir o estabelecimento após o lockdown, até porque, segundo Fran, este bar é a relização de um sonho dele. “Vamos reabrir após o lockdown. Meu bar fechado custa mais de R$10 mil por mês, 15 dias parado vou gastar mais de R$5 mil sem estar trabalhando, sem ganhar nada, mas é minha fonte de renda, é meu sonho realizado”.

Um dos funcionários do Toiço está utilizando a cozinha para fazer bolos de potes. Caique Souza, de 26 anos, é natural de Ibaté-SP e veio para Rio Preto em busca de uma oportunidade. “Devido ao Lockdown da cidade não poderei mais arcar com minhas obrigações e tão pouco terei como me manter na cidade. Moro de aluguel, pago prestação do meu carro e não sei o que será de tudo isso”, desabafa o funcionário.

De acordo com o proprietário, 90% dos funcionários dependem exclusivamente da renda que ganhar no bar. “Nosso objetivo é mostrar que não somos os vilões, não somos propagadores do vírus. Trabalhamos dentro das normas. A fiscalização tinha que ser muito mais intensas nas chácaras, que não obedecem a nenhum protocolo”, conclui Fran.

Acirp

A Acirp (Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto) se manifestou contra o lockdown e emitiu uma nota oficial assinada pelo presidente da entidade, Kelvin Kaiser.

Trecho da nota diz que “a fatura chegou. Mais uma vez, os bons estão pagando a conta daqueles que não estão cumprindo as normas exigidas pelos órgãos de saúde e causando aglomeração na cidade”.

Kelvin ainda frisa que o setor de bares e restaurantes são os únicos prejudicados. “Estivemos na Prefeitura debatendo alternativas para evitar o Lockdown geral. O Lockdown noturno proposto afeta menos o setor produtivo; porém, é uma tragédia para o setor de bares e restaurantes”.

Em relação às cidades vizinhas, a Associação foi firme em dizer que se elas não aderirem, o lockdown deve ser cancelado, pois seria ineficiente.

Segundo Kaiser, junto com o Lockdown noturno, é necessária operação das forças policiais Militar, Civil e GCM para multar pessoas físicas e jurídicas que geram as aglomerações em festas clandestinas, encontros informais ou outros estabelecimentos.

Por Andressa ZAFALON