39% dos médicos atenderam paciente com trombose após Covid-19

Nesta quinta-feira, 16 de setembro, é o Dia Nacional de Combate e Prevenção à Trombose, como é chamada a obstrução do sistema circulatório por um coágulo de sangue que prejudica e reduz o fluxo sanguíneo pelas artérias e pelas veias do corpo humano. Ela já era uma doença comum, intensificada depois da pandemia.

Em pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular com médicos associados, 39% deles disseram ter atendido pelo menos um paciente infectado pela Covid-19 com quadro de trombose venosa ou embolia. O aparecimento do problema vem variando de acordo com cada indivíduo. Algumas pessoas foram acometidas durante a infecção e outras até 45 dias depois do diagnóstico inicial.

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“Com a pandemia, as pessoas ficaram muito inativas, em casa, em home-office, muito tempo sentadas. A inatividade é um dos principais fatores que colaboram para a pessoa ter uma trombose”, afirmou Sthefano Atique Gabriel, médico cirurgião vascular do Instituto de Moléstias Cardiovasculares (IMC) em Rio Preto.

Ele explica que a trombose pode ser classificada em dois tipos principais: trombose arterial e trombose venosa profunda. A trombose arterial prejudica o fluxo de sangue para as extremidades do corpo, predispondo a um quadro clínico de isquemia e má circulação. Por outro lado, a trombose venosa profunda dificulta o retorno do sangue em direção ao coração, com possível desenvolvimento de embolia pulmonar.

Os sinais e sintomas mais comuns são as dores nas pernas, acompanhadas de inchaço na panturrilha e nos pés. O médico também ressalta também que, além destes sintomas, a pessoa que desenvolveu um quadro clínico compatível com trombose venosa profunda ainda pode ter o endurecimento da musculatura da panturrilha, dificuldade para caminhar, alteração de coloração nos pés e arroxeamento das extremidades.

Nos casos avançados, a trombose evolui para a embolia pulmonar, podendo causar dores no peito, falta de ar súbita, sensação de angústia, taquicardia (batimentos cardíacos acelerados) e taquipnéia (ritmo respiratório exagerado), com risco até de morte.

“Ao constatar alguns dos sintomas, a pessoa deve procurar o mais rapidamente possível o médico para o diagnóstico e, se confirmada a trombose, iniciar o tratamento logo”, alertou Sthefano.

Para fazer o diagnóstico, o médico baseia-se no histórico clínico e no exame físico do paciente. “Ao examinar o paciente, verificamos se há dores nas pernas, inchaço, empastamento ou endurecimento da panturrilha e se tem dificuldade para caminhar”, relata o médico, que conta para auxiliá-lo na confirmação diagnóstica com a realização do exame de ultrassom doppler venoso dos membros inferiores. É um exame não invasivo, que pode ser feito no consultório.

Segundo o cirurgião, há várias atitudes que as pessoas podem adotar para se prevenir de ser surpreendido por uma trombose. Sthefano recomenda parar de fumar, consumir bastante água, ter alimentação balanceada, praticar exercícios físicos regularmente e evitar passar muito tempo na mesma posição no horário de trabalho ou em longas viagens.

O uso de meias elásticas também pode ser indicado, de acordo com o cirurgião vascular, já que comprimem os vasos sanguíneos, melhorando o retorno venoso e, consequentemente, prevenindo problemas vasculares como varizes e trombose.

Da REPORTAGEM