Vulnerabilidade e medo andam juntos pelo terminal urbano

Localizado no coração de Rio Preto, o Terminal Rodoviário Governador Laudo Natel, a Rodoviária de Rio Preto, é um dos locais mais frequentados diariamente por moradores da cidade e da região, além de passageiros de outras áreas.

O local, que é dividido entre o Terminal Urbano, que compreende os coletivos circulares e entre o Terminal Rodoviário, acesso principal, foi inaugurado em 1972 na Praça Paul Percy Harris e recebe diariamente cerca de 60 mil pessoas no terminal e entre 15 e 20 mil na rodoviária.

A ultima reforma da área, que é superior a 16 mil m², foi feita entre 2006 e 2007, de acordo com dados da Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb), que é responsável pela administração da área, que contempla mais de 25 empresas de transporte e possui 50 guichês, incluindo também cabeleireiro, lojas e até farmácias.

Em média, são 60 funcionários em três turnos que atuam na rodoviária, que dispõe também de caixas eletrônicos, banheiros, guarda-itens, possui acessibilidade de cadeirantes, idosos e deficientes físicos.

Mas para usufruir de todos esses serviços, é preciso enfrentar problemas relacionados à segurança do local, que é, segundo a população, uma das maiores falhas da rodoviária. Diariamente, são registrados boletins de ocorrência alegando roubos e furtos em diversas partes da rodoviária.

De acordo com o coordenador da Guarda, Vitor Cornachione, a Guarda Municipal tem como objetivo coibir as ações de meliantes no local. “A Guarda Municipal realiza um policiamento preventivo 24 horas no terminal, por meio de viaturas com ponto de parada e também recebe denúncias via o telefone de emergência, 153”, disse o GCM, que também pontuou como objetivo das equipes manter a ordem pública. “Quem utiliza a rodoviária, se vir uma movimentação diferente, é importante que ligue no telefone 153”, ressaltou Cornachione.
A esteticista Maura Rosa Marinho Scanferla de Andrade já foi furtada no terminal e considera o lugar perigoso. “Eu pegava ônibus em horário de pico e o local era super cheio. Um dia eu senti alguém me puxando para trás e alguns minutos depois percebi que minha bolsa estava com o zíper estourado e havia sumido meus documentos e minha carteira. Enfim, me gerou muito transtorno e não tinha como imaginar quem foi que abriu”, contou a rio-pretense, que disse sentir-se impotente com a situação. “Quem viu não vai se pronunciar porque tem medo e as câmeras de vídeo não são suficientes para ver, é complicado”, acrescentou a jovem.

Quem também frequenta o local diariamente é a estudante Isabella Sanches, que acredita que o período noturno é o mais complicado para passar pelo terminal. “Pego de quatro a seis ônibus por dia. Durante o dia dá pra sentir segurança, porque é muito lotado, mas sinto um pouco de medo à noite, porque você vê bastantes pessoas suspeitas e se sente insegura”, explicou a jovem, que toma cuidado com o aparelho celular e fica atenta. “Eu acredito que para melhorar tem que ter um pouco mais de segurança no período da noite e os guardas têm que ficar mais atento”, finalizou.

Para controlar a segurança e evitar casos como estes, a rodoviária conta com um trabalho multidisciplinar, que envolve além da Guarda Civil municipal, a Polícia Militar e outras instituições, devido ao excesso de moradores de rua.

Segundo a PM, viaturas se fazem presente 24 horas por dia na região, contando durante o dia com uma base comunitária próximo ao local e também bicicletas e motocicletas. A reportagem perguntou à polícia sobre a quantidade de policiais que atuam na área, mas por questões estratégicas, a Polícia Militar não quis comentar sobre, afirmando apenas que o efetivo é variável, de acordo com os eventos e com o fluxo de pessoas.

Para se ter uma ideia, de acordo com dados da Secretaria de Segurança pública, só em janeiro deste ano o distrito policial pertencente à área da rodoviária registrou 48 inquéritos policiais instaurados e no ano passado, 439, de janeiro a dezembro.

De acordo com informações da Prefeitura, apuradas pela reportagem, a previsão é de que em agosto ou setembro, o novo terminal seja lançado para o serviço de ônibus urbanos com alterações no projeto e surge como promessa para aliviar o fluxo e garantir melhor acesso e mais segurança à população.

Em relação ao Terminal Rodoviário, este deverá permanecer no mesmo local com a mudança, não havendo até o momento projetos para reformas.
(Colaborou Arthur AVILA)

 

Da REPORTAGEM

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