Violência contra idosos cresce nos últimos anos

A cada dois dias, um idoso sofre um tipo de violência física, psicológica, patrimonial ou negligência. Nos últimos cinco anos, 871 casos com vítimas acima de 60 anos foram registrados.

Junho é lembrado como o mês Conscientização da Violência contra o Idoso e Rio Preto não tem muito que comemorar. Somente no ano passado, 71 casos de negligência foram registrados contra idosos. Também houve 31 agressões verbais ou psicológicas, 58 agressões físicas e nove financeiras.

Segundo os dados de Conselho Municipal de Direito do Idoso, de janeiro a março deste ano foram registrados 25 casos de agressões físicas, 13 verbais e 35 financeiras.
Na madrugada de segunda-feira (25) uma idosa de 77 anos foi trancada dentro de casa, junto com o marido, durante um roubo. O caso aconteceu no bairro Solo Sagrado, em Rio Preto.

De acordo com o boletim de ocorrência, guardas civis municipais que patrulhavam pela Avenida Mirassolândia notaram uma aglomeração de pessoas que estavam segurando um homem.

Uma das pessoas presentes se identificou como o sobrinho da vítima e contou que a idosa estava na casa com o marido, ouviu um barulho e foi verificar. Ela foi surpreendida por um homem na sala do imóvel, com uma televisão na mão.

O homem teria dito à idosa, em tom de ameaça, que não estava sozinho. Em seguida, trancou a idosa e o marido, que é cadeirante, dentro do imóvel e fugiu levando a televisão e um aparelho celular.

Já na manhã seguinte, o sobrinho e o filho da vítima saíram perguntando sobre os suspeitos pelo bairro e conseguiram chegar ao nome de um homem. A vítima reconheceu o suspeito, que foi detido e levado à Central de Flagrantes.

De acordo o presidente do Conselho Municipal de Direitos do Idoso de Rio Preto, Antonio Caldeira, a cidade tem estrutura para ajudar neste tipo de situações. “Daqui a cinco anos, 25% da população terá mais de 60 anos. O envelhecimento está acontecendo muito rápido e a sociedade não está preparada para isso, isso é um reflexo da sociedade em que vivemos. No entanto, o Conselho e Delegacia do Idoso servem para receber as denúncias e buscar a melhor forma de resolver a situação”, explicou.

“O debate sobre o assunto deve ser ampliado no próximo semestre. Buscamos alternativas para diminuir os números da violência, mas a situação ainda espanta. Vamos buscar a solução para o idoso viver tranquilamente, de maneira mais ativa na sociedade”, completou Caldeira.

No caso da idosa vítima de roubo, o suspeito detido indicou o endereço de outro homem, que também teria participado do crime. A GCM foi até o local e identificou o segundo suspeito como foragido do regime semiaberto da penitenciária de Mirandópolis.

Os dois suspeitos permaneceram presos, à disposição da Justiça. O televisor e o celular não foram encontrados.

Na maioria dos casos, no entanto, a denúncia não existe, o que dificulta a identificação e prisão do agressor. Segundo a delegada responsável pela Delegacia de Defesa da Mulher e do Idoso, doutora Dálice Ceron, o grande problema é que o idoso não denuncia. “Muitos idosos sofrem agressões dos filhos ou netos. Contam para alguma pessoa que faz a denúncia. Quando vamos investigar, eles retiram as acusações. Geralmente, isso acontece porque eles não querem que aconteça alguma coisa com os parentes, ficam com dó”, explicou a delegada.

“O conselho é denunciar sempre para que não aconteça novamente. É sempre bom manter alguém por perto e, caso aconteça alguma coisa, esta pessoa denuncie. O profissional cuidador é uma boa alternativa. Muitas vezes é difícil que o idoso queira sair do cantinho dele ou que uma pessoa desconhecida cuide dele, mas temos que tentar”, finaliza Ceron.
As denúncias podem ser feitas no Conselho Municipal de Direito do Idoso pelo telefone 3211-1850, na Delegacia de Defesa da Mulher e do Idoso, pelos números 3233-2910 ou 3232-6879, pela Polícia Militar, por meio do 190 ou pelo disque 100. (Colaborou: Leo BIGOTTO CARON)

 

Da REPORTAGEM

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