Violência contra a mulher é tema de exposição itinerante do Senac

Foto Claudio Lahos

Quem passar pelo Senac de Rio Preto entre os dias 28 de janeiro e 16 de fevereiro vai se deparar com uma exposição diferente montada no pátio da instituição. No local, ficarão organizados 30 objetos diferentes. Entre eles estão roupas, alianças, guarda-chuva, bolsa, artigos expostos com um único objetivo: despertar a empatia nas pessoas e fazer um alerta para a violência contra a mulher, que a cada dia se torna mais presente em nossa sociedade.

A exposição itinerante, que ganhou o nome de “Museu da Empatia Feminista”, é resultado de um projeto realizado por um grupo de alunas do Senac Lapa Faustolo. A mostra é composta por objetos de 30 mulheres vítimas de agressões, como cárcere privado e violências físicas, psicológicas e sexuais e até homicídios.

“As histórias dessas mulheres foram levantadas, registradas pelas alunas e vêm acompanhadas de um objeto de representação. Os relatos podem ser ouvidos pelos visitantes por meio de áudios, acessados através de um QR Code ou fone de ouvidos do próprio visitante”, comenta Pierobon.

De acordo com Juliane Pierobon, técnica do Senac São José do Rio Preto, a inspiração da mostra veio de uma exposição de empatia de Londres que chegou ao Brasil com o nome “Caminhando em seus sapatos”, que tinha como objetivo levar as pessoas a conhecer o mundo por meio do olhar de outra pessoa.

“As alunas do Senac adaptaram essa exposição para o olhar da mulher, falar da mulher, levando em conta um assunto delicado que é a violência. O objetivo é sensibilizar o visitante a ter um olhar empático, ou seja, se colocar no lugar dessas mulheres vítimas de agressão”, destaca a técnica do Senac.

São história e realidades diversas. O contato com os relatos de mulheres vítimas de violência é uma forma de sensibilizar as pessoas em torno da causa. Além de dar visibilidade à causa, o objetivo do “Museu da Empatia Feminista” é despertar a empatia na população e a sororidade entre as mulheres. “Sensibilizar as pessoas pode ser uma forma de auxiliar e buscar caminho para esse problema, além de ser um registro dos Direitos Humanos, que completou 70 anos”, destaca Pierobon.

Violência
A cada dia que passa, o número de mulheres vítimas de violência aumenta em todo o território brasileiro. Muitos dos casos de agressão terminam em mortes, os chamados feminicídios, mulheres assassinadas por questão de gênero. Até 21 de janeiro, mais de cem casos de feminicídios já foram registrados no país. O dado foi levantado pelo Jefferson Nascimento, doutor em Direito internacional da USP. É diante dessa realidade alarme que a exposição idealizada pelas alunas do Senac se faz tão importante.

No ano passado, foram registrados em Rio Preto 13 casos de feminicídio, sem contar nos inúmeros casos de agressões contra a mulher. Só em janeiro deste ano, duas mulheres morreram na cidade vítimas de agressores do sexo masculino. É o caso da enfermeira Juliana Landin Simão, de 37 anos, técnica de enfermagem assassinada pelo ex-marido na semana passada.

Serviço
O Museu da Empatia Feminista já percorreu algumas unidades do Senac e até o final do ano deve passar por mais de dez cidades. Em Rio Preto, chega nesta segunda-feira, 28 de janeiro. A exposição fica aberta ao público até 16 de fevereiro. A entrada é gratuita e, quem quiser conferir, pode ir até a unidade do Senac de segunda a sexta-feira, das 8 às 21 horas, e aos sábados, das 8 às 12 horas.

A comunidade surda também vai ter a possibilidade de conhecer as histórias relatadas pelas mulheres vítimas de violência. A unidade do Senac vai disponibilizar intérpretes de libras para atender esse público específico. “As comunidades surdas são bem-vindas a conhecer a exposição”, ressalta Pierobon.

 

Por Leandro Brito

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