Vigilância Ambiental registra 80 ataques de escorpiões em 50 dias

Foto Divulgação

Oitenta rio-pretenses foram picados por escorpiões, nos últimos 50 dias, na cidade. Isso
corresponde a mais de um ataque diário (1,6 pela estatística). As informações são do gerente da Vigilância Ambiental, Abner Alves.

“Em 2019, até esta terça-feira (19), foram registrados 80 acidentes escorpiônicos com moradores do município. Em 2018, tivemos 555 vítimas e, em 2017, 384”, enfatiza. O aumento no número de ataques não é apenas uma realidade local. Nos últimos cinco
anos, segundo especialistas, houve um crescimento de 80% nos acidentes com escorpiões
em todo o país, passando de 78 mil para 141 mil casos. Em 2017, foram confirmados 143
óbitos por picada desse animal peçonhento. Atualmente, a taxa de letalidade é de quatro
mortes para cada grupo de mil pessoas atacadas.

“O escorpião se adaptou à cidade e tem características que favorecem a sua reprodução,
como a capacidade de se autorreproduzir e a falta de predadores naturais”, acrescenta.
Apesar do grande número de ataques, não houve óbito nos dois últimos anos em Rio
Preto, de acordo com Abner.

“O poder público faz a sua parte. É fundamental que a população colabore, mantendo
limpos os ambientes internos e externos das residências, sem folhas, entulhos e materiais
inservíveis. Ralos e frestas nas paredes devem ser tampados. Ao cuidar do jardim é preciso
usar luvas e botas“, destaca.

Conforme ele, o georreferenciamento (mapeamento dos locais de maior incidência)
revelou que a disseminação de escorpiões é maior em ambientes propícios à sua reprodução, como ferros velhos e empresas que trabalham com transportes e caixarias.

VERÃO

Giuseppe Puorto, membro do CRBio-01 (Conselho Regional de Biologia – 1ª Região),
que abrange os estados de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, salienta
que o problema é comum nas regiões urbanas especialmente no verão.

“Em torno de 40% das ocorrências registradas em todo o país são nesse período. Por isso, a atenção deve ser redobrada nessa época do ano”, reforça o biólogo. Puorto explica que os escorpiões se alimentam de baratas, que são insetos domésticos e que nessa época do ano se proliferam, já que as condições climáticas são favoráveis para sua reprodução.

“Eles invadem as casas atrás das baratas, mas acabam também buscando onde se alojar”, completa. Segundo o especialista, nas grandes cidades a espécie mais perigosa é o escorpião amarelo (Tityus serrulatus), que se reproduz por partenogênese (ou seja, a fêmea se reproduz sozinha). E que a melhor maneira de evitar a visita desses aracnídeos é
justamente manter os lugares livres de entulhos.

“No quintal de casa evite o acúmulo de telhas ou de tijolos, por exemplo. Eles podem
se esconder entre as frestas. E se perto de casa tiver algum terreno baldio, peça para que a prefeitura providencie a limpeza do local”, orienta o biólogo.

Se for picado, Puorto recomenda que procure um serviço de atendimento médico o mais
rápido possível. “A pessoa deve ser levada para o local mais próximo que tiver”, avisa.
Ele frisa que, geralmente, primeiro é aplicado um medicamento para aliviar a dor
provocada pela picada do escorpião. E depois, se for o caso, é aplicado o soro antiescorpiônico.

“O medicamento neutraliza as toxinas do veneno circulante no corpo. A aplicação é geralmente indicada para crianças e idosos, considerados maior grupo de risco”, finaliza.

 

Por Daniele JAMMAL

 

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