Venda de sede do Palestra vira caso de polícia

Associados e conselho deliberativo do Palestra pedem anulação de venda do local. (Foto Claudio Lahos)

Conselho deliberativo tenta anular venda do local alegando descumprimento de cláusulas acordadas em assembleia

A polêmica envolvendo o contrato de compra e venda da sede do Palestra Esporte
Clube está longe de terminar. Desde o ano passado, o tema é alvo de questionamentos e muita discussão entre a atual presidência do clube, conselho deliberativo e associados.

Em junho desde ano, o conselho deliberativo ingressou com ação cível pública contra
a direção do clube para ter acesso aos contratos de compra e venda da sede. Segundo
o presidente do conselho, Valdomiro Alcaín, a empresa que arrematou a área, a Succespar Real Estate, não teria condições de honrar com os valores acordados na venda, de R$ 60 milhões.

“Desde aquela época nós tentamos ter acesso ao contrato e, só conseguimos a cópia do documento após uma determinação judicial. O documento descumpria várias cláusulas acordadas em assembleia, uma delas no que diz respeito a locação do espaço por 20 anos, podendo ser renovada por igual período.

A anulação do contrato está na justiça, lembrando que até o momento não foi repassado nenhum valor ao clube’, explicou Valdomiro. No domingo, novamente
o conselho procurou a polícia para denunciar abusos por parte da empresa compradora
do local. Valdomiro reclama que faltou clareza por falta do atual presidente, Osvaldo
Marques. “As estruturas foram desmontadas e queremos ouvir do presidente um esclarecimento para poder entender essa atitude. A confusão começou no domingo, quando os associados foram até o clube e encontraram os portões fechados e vários seguranças que impediam a entrada de qualquer pessoa. Ontem nós tentamos novamente entrar no clube, procuramos o Osvaldo, mas não tivemos retorno. O
que estamos reclamando é a falta de clareza do contrato”, explicou ele.

Marcelo Henrique da Silva, advogado e membro do conselho fiscal também comentou
sobre a decisão do atual presidente. Ele comentou que Osvaldo não poderia estar no
comando do Clube, por conta de uma condenação por improbidade administrativa em
ação proposta pelo Ministério Público com denúncias de superfaturamento em venda
de medicamento para saúde pública de Penápolis.

“Baseado no artigo 17 do nosso estatuto interno, o Osvaldo, com essa condenação
criminal, que era prisão e foi convertida em prestação de serviços não poderia nem ser
sócio do clube. Ele teria que cumprir sua pena e, assim que ele cumprir sua pena pode sim voltar a fazer parte do quadro de associados, mas por essa condenação se ele não pode nem ser sócio, quem dirá ser presidente. Ele fechou as portas do clube e hoje o associado não pode usufruir de nada. O Palestra é uma associação e tudo foi às escuras, sem nenhum comunicado. Ele não vendeu, mas fez um contrato de gaveta que prejudica todos os associados. Isso não pode. Nós vamos procurar a Justiça”, completou Marcelo. Além da sede, os campos da portaria do clube de campo foram vendidos por pouco mais de R$ 2,8 milhões. No local será construído um posto de
combustível e, na época da negociação, o conselho questionou a transação, alegando
que a área que custa entre R$15 e 16 milhões.

Em resposta, a Succespar informou em nota que não se manifestará sobre a compra e
venda da sede. Nós procuramos Osvaldo Marques, presidente do Palestra, mas ele não atendeu às ligações da reportagem. Conteúdo especial: Jaqueline BARROS

Da REPORTAGEM

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