Vacina em farmácias diverge opiniões

proposta - Autoriza farmacêuticos a aplicarem vacinas na população; regulamentação divede opiniões entre Cremesp e sindicado da categoria

A regulamentação, feita pela Anvisa, aguarda decisão do Governo Federal, mas já se tornou polêmica entre o Cremesp e o sindicato dos farmacêuticos. A proposta autoriza a vacinação em farmácias de todo o país.

A elaboração de uma regulamentação que permitirá que vacinas sejam aplicadas nas farmácias do país tem colocado em xeque opiniões do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), que vê como algo preocupante, e o Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de São Paulo, que vê a medida como algo positivo.

A norma feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já passou por consulta pública e agora aguarda decisão do Governo Federal. A Anvisa está elaborando a regulamentação que trata sobre os requisitos mínimos para o funcionamento dos serviços de vacinação no país, que atualmente são feitos na rede pública e em clínicas de vacinação regulamentadas pela Portaria Conjunto Anvisa/Funasa nº 01/2000.

A proposta, que está em análise, diz que o estabelecimento (farmácia) deve ter um profissional habilitado e capacitado para o serviço de vacinação. Em caso de intercorrências, ele deve garantir o encaminhamento do paciente ao serviço médico. As vacinas que não fazem parte do calendário oficial do Programa Nacional de Imunizações deverão ser feitas mediantes prescrição médica.

Para o conselheiro da delegacia do Cremesp de Rio Preto, Pedro Teixeira Neto, a mudança é um benefício, mas gera preocupação. “É preocupante porque existem casos e casos, tipos de vírus e as vacinas podem ter complicações. Os farmacêuticos são habilitados para fazer a aplicação, mas para indicação e diagnóstico de qual vacina, apenas um médico”, comentou.

Segundo o diretor regional do Sindicato do Farmacêutico no Estado de São Paulo, Ely Eduardo Saranz Camargo, a medida irá aumentar a opção para o paciente, tendo mais um local para vacinação, mas a preocupação será em torno do armazenamento adequado dessas vacinas. “A medida é positiva, pois aumenta a opção para o paciente, com mais um local de vacinação. O contratempo é que nem todos os estabelecimentos têm condições para o armazenamento e teriam que se adequar para armazenar as vacinas de forma correta e a refrigeração necessária”, disse Camargo.

De acordo com o diretor, se aprovada, a medida pode minimizar o quadro de procura por vacinação nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Porém, ele acredita que a vacina deverá ser comercializada, como já é feita em clínicas particulares. “Com a vacinação nas farmácias, pode diminuir as filas em postos onde a situação é crítica. Acredito que tais vacinas deverão ser comercializadas e de forma gratuita apenas nos postos de saúde”, concluiu.

 

Por Priscila Carvalho

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