Último dia: famílias não deixam a favela

Famílias que não deixaram a favela alegam que não têm para onde ir. (Foto Claudio Lahos)

O pedido de reintegração de posse foi feito pela Prefeitura e os moradores, mesmo com o final do prazo, não deixaram o local. A maioria dos moradores alega que não tem para onde ir e, por isso, não saem.

No último dia do prazo dado pela Justiça para que as famílias deixassem a favela do Brejo Alegre voluntariamente, nenhum morador abandonou o local. A decisão foi publicada em 10 de maio, pela juíza Tatiana Pereira Viana Santos, da 2ª Vara da Fazenda Pública de Rio Preto.

O pedido de reintegração de posse foi feito pela Prefeitura e os moradores, mesmo com o final do prazo, não deixaram o local. A maioria dos moradores alega que não tem para onde ir e, por isso, não saem.

“Fui morador de rua quase a minha vida inteira. Morei dez anos debaixo da ponte perto da Pedra. Eu não estou aqui porque quero. Estou aqui porque preciso. Trabalho com reciclagem e não tenho para onde ir com a minha esposa. A gente só pede que a prefeitura venha e converse com a gente para que eles saibam quem é que precisa de verdade e ajude”, comentou o Francisco Neomo Oliveira de Souza, catador de recicláveis, de 50 anos.
Já a moradora Janetxa Fernanda Florindo Nomar, de 19 anos, tem dois filhos, um de dez meses e outra de 3 anos. Ela e o marido estão desempregados e esperam uma visita da prefeitura para saber o que irão fazer. “Nós não sabemos o que fazer da vida e não temos para onde ir. Vivemos de ajuda e não temos nenhum trabalho remunerado há um bom tempo. Estamos esperando o que vai acontecer amanhã”, disse.

O despacho exige uma série de medidas por parte da Prefeitura, como a oferta de abrigos para idosos, crianças e portadores de deficiência física. Também determina que o município possibilite que famílias de fora consigam retornar para suas cidades de origem. A medida autoriza, inclusive, uso de força policial.

A prefeitura informou que deve enviar equipes para fazer o levantamento das famílias na quinta-feira (30).

Por Bia MENEGILDO

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